terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cidadão permitido


Quando acordo de manhã ao som das buzinadelas contínuas da fila interminável de viaturas, nesse barulhento ritual mágico-religioso de dissipar o trânsito que há anos se revela ineficaz, fico com ganas de lhes tirar o pio, de lhes extirpar esse órgão sonoro do carro já que ninguém fiscaliza o ruído.

Esta é uma questão que não está no horizonte da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo que ontem anunciou que quer extirpar o fumo em todos os estabelecimentos de restauração, incluindo bares e discotecas. Defende mesmo que a lei tem de ser alterada para passar a contemplar tão completa proibição. Que não se descanse e durma por causa do ruído dos bares e discotecas será certamente coisa de pequena monta para estes cruzados movidos pela defesa do direito exclusivo e inalienável dos não-fumadores a ocuparem todos os territórios.

E desta vez o director-geral de Saúde explicou prontamente que a lei em vigor só pode ser revista após 3 anos e que de qualquer modo, "Não há condições para se alterar a lei portuguesa porque ela fundamenta-se nos princípios constitucionais que estão em vigor no nosso país, onde os excessos não são permitidos". Afinal, ao abrigo da Constituição, os fumadores são cidadãos como os outros.


Imagens de Yatahonga.

3 comentários:

JPG disse...

Aqui há uns anos, no Harrods de Londres, fiquei (sem exagero) uns cinco minutos a ler todos os letreiros de proibições que lá têm à porta.
Lembrei-me na altura que, não tarda, a colecção será tão grande que um gajo começa a ler aquilo tudo aos 18 anos e só acaba quando já andar de bengala e estiver curvado pelo reumático.
De notar, na declaração de Sexa o DGS, o tom vagamente desconsolado: é de facto uma chatice que estejamos num "país onde os excessos não são permitidos". Isto era bom era se fossem mesmo permitidos - cuspir nos fumadores, por exemplo, ah, isso é que era fixe!

maria_arvore disse...

:)))

Devia haver quem gostasse que as proibições fossem tantas que nos acantonassem como galinhas em aviários: só para reprodução e alimento para os impostos. :(

E confesso a minha incapacidade para ter outra reacção cutânea a Sexa o DGS que não o arrepio ;)- (é um epíteto magnífico)- porque lhe encontro os traços de inquisidor-mor.

Curiosa disse...

Essa de "os excessos não são permitidos" é das mais hilariantes anedotas.
O obrigacionismo que nos restringe a liberdade é sempre um excesso.