quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Beatas à solta



Na descrição deste vídeo consta que «milhares de pontas de cigarro são diariamente atiradas ao chão desde que os portugueses foram "convidados" a fumar na rua. Cidades como Lisboa e Coimbra reforçaram a recolha de lixo, mas os fumadores continuam a preferir o chão ao cinzeiro».

Convinha elucidar o Sr. Ângelo Mesquita que os ditos cinzeiros, que os fumadores lisboetas não utilizam, não passam de umas plaquitas de metal (com cerca de 5 por 2cm) por cima das papeleiras de plástico. Imaginemos a reacção “beata” meio apagada-papel-plástico, que tal?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Brincadeirinhas estúpidas


Liquid Smoking


Não faço ideia de como é que estes gajos descobriram a lata, mas foi que vi esta palhaçada pela primeira (e espero que última) vez.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

17 de Novembro, Dia Nacional do Não Fumador



A mensagem subliminar contida nesta imagem é a seguinte: quem não fuma, não morre. E também, pelos vistos, que apenas os fumadores cristãos encomendam a alma ao Criador. Portanto, cumpre a cada qual decidir: ou deixa de fumar ou converte-se a qualquer outra religião.

Em qualquer dos casos, terá garantida a vida eterna - essa insuportável chatice.

Se, por qualquer motivo, ainda assim a imagem não convencer e a perspectiva de ficar por cá a chatear toda a gente até à eternidade não se afigurar como apetecível, então poderá sempre optar pela cremação, quando chegar a sua hora. Esse tipo de fumo ainda não é proibido, até ver, e fica garantido que a nossa cruz não sairá na fotografia.



Para quem não sabia que data hoje se "comemora", está aqui uma notíca do jornal... Record.

Imagem via blog Portugal Porreiro

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Documentos históricos do Santo Ofício

PUBLICO.PT

PÚBLICO: Edição Impressa Versão para cegos
10 de Novembro de 2008 - 12h29

Secções PÚBLICO Edição Impressa: Destaque, Opinião, Portugal, Mundo, Temas, Economia, Desporto, Local Lisboa, Local Porto

Suplementos PÚBLICO: PÚBLICA, ÍPSILON, FUGAS, ECONOMIA,

Subúrbio londrino proíbe fumadores de adoptarem


O conselho municipal de um subúrbio de Londres proibiu os fumadores de serem pais de acolhimento. A proibição foi aprovada esta semana por unanimidade numa reunião da assembleia do borough de Redbridge, no Leste de Londres e deverá entrar em vigor em Janeiro de 2010. Associações de defesa de fumadores já criticaram a decisão e uma associação que representa vários grupos envolvidos na adopção defende que uma proibição cega não é correcta.

O Governo local considera que a medida é crucial para proteger as crianças dos efeitos do fumo passivo - e justifica-a com novas provas científicas onde se mostra que o fumo passivo pode provocar doenças respiratórias na infância, assim como cancro do pulmão.

"Sabemos que este assunto é difícil porque algumas pessoas vão sentir que é uma intrusão nas suas liberdades pessoais, mas também sabemos que o fumo aumenta os riscos de doenças sérias na infância", afirmou um membro do conselho, Michael Stark, do Partido Conservador, citado pelo jornal The Independent.

A Fostering Network considerou "positivo" que se tente criar um ambiente livre de fumo para as crianças, mas receia que a medida reduza o número de famílias disponíveis para receberem crianças vulneráveis.

"Se uma pessoa tem as qualidades e a capacidade para acolher uma criança, não devia ser posta de lado só porque fuma um cigarro no fundo do jardim ou quando sai à noite. O acolhimento devia ser sobre muito mais coisas do que saber quem é fumador", afirmou um porta-voz.

O grupo de defesa dos fumadores Forest considera que se trata de "mais uma tentativa para estigmatizar os fumadores e separá-los do resto da sociedade". O que se quer dizer com isto, afirmou ainda um porta-voz do grupo, "é que os fumadores em geral não são capazes de ser pais e isso é totalmente inaceitável".
O Governo local considera que esta medida é crucial para proteger as crianças dos efeitos do fumo passivo

Fim

© Copyright PÚBLICO Comunicação Social SA


Via blog Jugular.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Momentos

sábado, 18 de outubro de 2008

Confirmação e Pontuacão (10)


Restaurante O Santiago
67, R. das Portas de Santo Antão
1150 Lisboa 1150
Telefone 213 421 513


  • Desta vez, tem de ser tudo na base da memória e, devo confessar, já lá vão uns dias. Aliás, esqueci-me da factura, de maneira que também os comes e bebes (e respectivos preços) são "de cabeça"; só tenho aqui o talão do Multibanco e as más notícias começam por aí: 41,80 € para um jantarito fraquinho, duas cabeças, é um pedaço.
  • O sítio não é mau, se bem que a sala para os fumadores (pareceu-me ter outras duas, presumo que de sinal vermelho) seja nos fundos e, portanto, sem janelas.
  • O serviço é razoável, talvez um pouco "amigável" de mais, e o ambiente não tem absolutamente nada a assinalar: exactamente igual a milhares de outros sítios. A localização central, mesmo a meio da Rua das Portas de Santo Antão, convida mais o turista do que o lisboeta, pelo que também não seria de esperar comidinha muito caprichada porque, segundo a estranha convicção de alguns proprietários da restauração "turística", os estrangeiros são uma cambada de pategos que estão habituadíssimos a comer pessimamente. Ora...

Nada mais falso, como sabemos. O grande problema com este restaurante reside precisamente nos "morfes": os pitéus seriam apelativos, a julgar pelas designações (perna de borrego cabrito assada no forno e caldeirada cataplana de peixe à "Não Sei Das Quantas"), mas que venha o diabo e escolha qual o mais desenxabido.

A caldeirada "cataplana de peixe" (ou "peixe na cataplana", tanto faz) era uma espécie de caldeirada (ou peixada) metida dentro de uma cataplana, com uns pedaços de peixes variados lá dentro (variados, mas pouco) e com uma calda de refogado atomatado a fazer de molho; numa escala de 1 a 20, dou-lhe Medíocre Menos (5), e isto apenas com fins pedagógicos; a tomatada não tinha ponta por onde se lhe pegasse e a cataplana era só para fazer vista. Quanto à tal perna do tal borrego cabrito, bem, o que dizer? O mesmo que se diz geralmente de um jogador "tipo" defesa direito da selecção nacional de futebol: fraquinho, fraquinho, fraquinho. Ou seja, o raio do pernil estava rijinho, insossozinho, deslavadinho. Uma tristeza, enfim. Leva Medíocre (nem mais nem menos), aí um 7 bem medido.

Safou-se o vinho; se bem me lembro, um belo de um Grandjó, a merecer outros presigos e melhores condutos. Vá lá, bem fresco, salvou-se isso.

Pronto, pode-se fumar ali, pois pode. E é central, pois é. Mas é carote, olá se é. Não vale o preço, em suma.

Há sítios de comer que são mesmo abaixo de cão, o que não é o caso, mas este andou lá perto.

Isto aqui não é o das estrelas Michelin, nem coisa que se pareça, mas também não é o da Joana. Talvez tenha sido um dia mau do pessoal da cozinha. Mas nem todos somos turistas, nem todos somos "estrangeiros" e, principalmente, nem todos engolem sem pestanejar qualquer coisa feita à pressa e sem gosto nenhum.

Fumar no restaurante é bom, passar fomeca no intervalo dos cigarros é mau.




snap map

Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Confirmação e Pontuacão - 9

"A Comidinha", restaurante onde se pode 'baforar'






A comidinha
Proprietário: Pedro Glória Domingues
Tipo: português,discreto e familiar
Localização: Lagos, Algarve
Dia de encerramento: segunda-feira
Formas de pagamento: numerário e Multibanco
Preço Médio: 20 a 25,00€
Área fumadores: exclusivamente fumadores
Estacionamento: fácil

  • Restaurante localizado numa zona residencial da cidade de Lagos, que prima essencialmente pela fabulosa cozinha tradicional portuguesa, cuidadosamente confeccionada pelas mãos da Graciete, também proprietária do restaurante.
  • O interesse do proprietário pelos cheiros e sabores de África, resultaram num acrescento ao menu de alguns pratos africanos, soberbamente cozinhados, como se da mão do mais exímio cozinheiro africano saíssem.
  • A cozinha regional não só tem origem no litoral algarvio, caso do peixe sempre fresco e cozinhado de diversas maneiras mas, de forma simples e saborosa, como também no barrocal algarvio, de onde saem pratos de carne de nos fazer crescer água na boca.

Peixe e mariscos: Garoupa, cherne e pargo grelhados, raia cozida no caldo com legumes ou frita com arroz de tomate, ovas cozidas, ensopado de pata-roxa, arroz de tamboril, massa de peixe, canja de peixe-galo ou de abrótea, cherne ou pargo na caçarola, moqueca de tamboril ou de camarão, caril de camarão, choquinhos fritos à algarvia, feijoada de búzios, salada de polvo, de lulas ou de ovas, carapaus alimados, raia de alhada, moreia frita, mexilhão ou amêijoas à Bulhão pato.

Carne: dobrada com feijão branco, grão com rabo de boi, rabo de boi em vinho tinto, coelho em vinho tinto, moamba de galinha com pirão de milho, cabidela de galinha, língua de vaca estufada, chambão de vitela, vitela à jardineira, bochechas de porco à casa, carne de porco com amêijoas, iscas de vitela à portuguesa, ensopado de borrego, favas à portuguesa, presas de porco à casa, medalhões de lombinhos de porco e bife do lombo na frigideira.

Doces: variados doces algarvios e uma mousse de limão com canela de comer e chorar por mais.

Outros pratos são confeccionados dependendo das estações do ano, da imaginação dos proprietários e dos produtos frescos disponíveis, já que o segredo deste restaurante é, sem dúvida, a criteriosa escolha dos produtos, tanto em frescura como em qualidade.

Para finalizar, a garrafeira da Comidinha é, sem dúvida, uma das melhores do Algarve. Entre vinhos tintos, brancos, espumantes e champagnes, todos eles servidos nos copos adequados, tem cerca de 1.050 referências.

Vale a pena fazer uma visitinha à Comidinha, pela comida, bebida, ambiente e por poder ‘baforar’ à sua vontade.


Crítica de: Maria João.

Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.




snap map

Imagem surripiada no Barlavento Digital

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Um homem, um destino

Paul Newman

Morreu um homem.

Desde que esse homem morreu, por entre epitáfios vários e justificadíssimas homenagens recordando-lhe a carreira e os méritos, não faltou a asinina referência ao facto de ele ter sido toda a vida um fumador inveterado. O que significaria, evidentemente, que aquele homem morreu por causa do tabaco. Coitadinho, portanto. E "é bem feita", presume-se, pensarão alguns.

Vejamos.

Nasceu em 26 de Janeiro de 1925 e faleceu no passado dia 26 de Setembro. Ou seja, esteve vivo durante 83 anos, faltando-lhe apenas 4 meses para ter chegado aos 84.

Isto representa 1.002 meses ou 4.366 semanas. Enfim, foram exactamente 30.559 dias de uma vida bem preenchida e também, sim, cheia de belas fumaças.

As alminhas que se dizem caridosas pretenderiam por certo que, se o desgraçado tivesse largado o vício, algures no seu passado, por certo chegaria aos 100, aos 110 anos, se calhar mais ainda.

Não há paciência. Deixem-no em paz, caramba!

Ao menos desta vez, houve alguém que viveu bem e muito; morreu de velho, com dignidade. Nada de mais simples e de mais natural.

Ao menos desta vez, o tabaco não teve nada a ver com as leis da Natureza, com a vontade de Deus, com o destino de cada qual.

A não ser que inventem a cura para a morte, a não ser que descubram a fonte da eterna juventude, ao menos desta vez larguem este cadáver, ao menos este, de alguém que está mais vivo do que nunca.

sábado, 20 de setembro de 2008

Smoke and Ashes

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Nota (21:36): inicialmente, este post tinha uma aplicação imeen com o tema “Smoke and Ashes” da Tracy Chapman. Como o imeen reduziu o clip para 30’’, substituí-o pelo vídeo acima. Para ouvir, ouve-se a versão completa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Tits Tax



Visto em A Arte da Fuga (excelente blog, por sinal).

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pués que viva Lula!

Eu defendo o fumo em qualquer lugar, diz Lula

LUIZ CARLOS DUARTE
Editor-Geral do Agora

'"Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado." Essa foi a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser indagado qual a sua opinião sobre o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB), na semana passada.

Durante a pergunta que lhe foi formulada, Lula fumava uma cigarrilha. Ele concedia entrevista coletiva a jornalistas de oito jornais populares do país, no Palácio do Planalto, ontem de manhã. Naquele momento, não havia repórteres-fotográficos na sala.

O projeto do Ministério da Saúde tramita na Casa Civil, desde fevereiro, e propõe a extinção dos fumódromos em recintos fechados, liberando o cigarro, com algumas exceções, apenas em casa ou na rua.

Lula não quis manifestar sua opinião sobre o mérito do projeto. "Eu não vou propor. A idéia do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares fechados. Eu mando o projeto para o Congresso e não voto." Ao ser questionado sobre um decreto que proíbe o fumo no Planalto, o presidente respondeu: "Menos na minha sala. Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando".

A Casa Civil afirmou que o projeto federal "está em análise, sem previsão de ser enviado ao Congresso". Informou ainda que o Palácio do Planalto observa a lei 9.294, de 15 de julho de 1996, e o decreto nº 2.018, de 1996. A lei proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, "devidamente isolada ou com arejamento conveniente". Na prática, não é cumprida no Planalto.

A assessoria do ministro José Gomes Temporão (Saúde) informou que a pasta está priorizando seus esforços na aprovação da emenda 29, que destina mais recursos à saúde. Depois, a prioridade será a lei contra o tabagismo. Segundo a economista Márcia Pinto, o fumo traz prejuízo anual de R$ 338,6 milhões ao SUS, em internações e quimioterapia.

Folha Online


Como todos sabemos, o principal problema do Brasil não é a criminalidade, os raptos, os assassinatos, a selvajaria generalizada, nem a miséria total lado a lado com a opulência absoluta, nem a escravatura moderna e subtil, tampouco a ignorância endémica, a destruição do ambiente e do património. Nada disso. O Brasil é um portentado, uma super-potência mundial de tal forma evoluída que já se dá ao luxo de centrar esforços e de mobilizar meios no combate ao tabagismo, esse perigo horrível.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Tabaqueiras em cogitação


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Se não visualizar o vídeo, click AQUI

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

História do fumo VII - Casa Havaneza





A Casa Havaneza, como era e como é.

Imagem de GUIA ILLUSTRADA DE LISBOA (e suas circumvisinhanças), Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora (50, Largo do Conde Barão), 1891.
PrintScreen do site da Casa Havaneza.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Nunca mais acaba a porcaria dos Jogos Olímpicos



Manhã cinzenta
Faz-me chorar
A chuva lembra
O teu olhar
As folhas mortas
Caem no chão
A dor aperta
O coração.
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta para o meu peito
Daqui não saias mais.

Perdi-me amor
Pra te encontrar
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta para o meu peito
Daqui não saias mais.

"Voltar", de Rodrigo Leão

Medalha de ouro nos 110 versos barreiras.



Um dentista fica incapacitado para o trabalho, por motivo de doença, de cada vez que chumba um dente a um paciente seu?
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P.S. 1: depois de ouvir um pivô no directo deste assalto a falar em atiradores fortuitos (exacto, leram bem, fortuito) quando na GOE e afins só existem, e só podem existir, atiradores especializados (os tais Snipers), cuja profissão é o tiro certeiro, não entendo porque ainda me espanto com semelhantes manchetes.

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P.S. 2: as baixas não são psicológicas, são médicas. Psicólogos não podem passar baixas nem medicamentos, isso é do âmbito dos (médicos) psiquiatras, ou do médico de família como erradamente se tem generalizado.

Grande mulher


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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Contextos há muitos

Não é notícia recente o “passar a bola” da cobrança da multa a José Sócrates, por este ter fumado num avião. António Nunes, da ASAE, escusa-se à aplicação da legislação, que segundo ele «depende do contexto em que a infracção é cometida e das circunstâncias».

Desconheço que a lei "anti-tabagista" faça referências a contextos, de qualquer forma, penso que nesta aberrante lei, como em tantas outras, apenas há dois contextos: o de nepotismo e o de imposição. Aos “eleitos” aplica-se a onda do “favor” entre compinchas implicitamente acima da lei, ao comum cidadão aplica-se a subjugação ao fundamentalismo na onda do "pagas e não bufas".

Mas adiante. Para registo, aqui fica a transcrição do artigo «Sócrates pretende pagar multa que ninguém quer cobrar» no Portugal Diário:
A polémica estalou depois do primeiro-ministro ter fumado a bordo de um avião quando ia de visita oficial à Venezuela. José Sócrates quis pagar a multa correspondente, depois de ter apresentado desculpas públicas, mas, aparentemente, ninguém o quer multar, segundo noticia o Jornal de Notícias na edição desta quarta-feira.

O diário explica que o chefe do Governo, segundo fonte do seu gabinete, «tentou apurar» que multa deveria pagar pela infracção. Mas, surpreendentemente, segundo foi dito ao JN, «a questão andou de organismo em organismo, sem que a respostas tivesse sido conclusiva».

Depois do incidente, registado em Maio, e noticiado num artigo do enviado do jornal Público, que acompanhava a viagem do primeiro-ministro à Venezuela, a TAP explicara que por se tratar de um avião fretado a lei não se aplicaria.

Porém, este não foi o entendimento da ministra da Saúde, Ana Jorge. Perante a ausência de qualquer penalização, o deputado do BE João Semedo enviou uma missiva à governante questionando-a sobre este assunto. Esta garantiu que o acto era ilegal. «Compete à ASAE e à Direcção-Geral do Consumidor a instrução de procedimento contra-ordenacional», disse, numa carta assinada pela sua chefe de gabinete, e citada esta quarta-feira pelo JN.

Porém, o inspector-geral da ASAE, António Nunes, contactado pelo diário, disse que o organismo que dirige não tem o exclusivo de lavrar autos de fiscalização da Lei do Tabaco, por que isso «depende do contexto em que a infracção é cometida e das circunstâncias».

Segundo António Nunes, será a GNR ou à PSP que compete a responsabilidade. Mas se é a esta última força que compete a fiscalização do cumprimento da lei nos aeroportos e lavrar o auto, já relativamente aos casos verificados dentro dos aparelhos não parece ser tão claro que seja assim. A Direcção Nacional da PSP disse ao JN que é o comandante que pode «solicitar antecipadamente (com a Torre de Controlo) a presença das autoridades policiais para identificarem o passageiro e preencherem o auto de notícia respectivo». O que não aconteceu.

«Tendo presente que a instrução dos processos é da responsabilidade da ASAE, solicito que obtenha esses dados junto daquela entidade», disse a PSP ao jornal.

José Sócrates pode querer pagar a multa. Mas ninguém parece saber, ou querer, multá-lo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Yes


Yes Lyrics
Soon Lyrics

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

e-cigarros

cigarro electrónico

Não deita fumo, não produz cinza nem sobram beatas. Não está previsto na lei - logo, é legal - e não é crível que alguém se possa chatear por ter um "fumador" destes "e-cigarros" ao lado, mesmo num restaurante apinhado de gente.

Ou seja, e isso já não é nada mau, acabou-se de vez a proibição de fumar seja onde for, mesmo nos aviões, em plena coxia, ou até numa circunspecta e grave sala de audiências de qualquer tribunal. Quanto mais não seja pela inolvidável experiência (e pelo gozo que deve dar a cara desconsolada dos antitabagistas circunstantes), valerá a pena comprar um "gadget" destes. O prazer de fumar em plenas trombas dos puritanos macabros valerá com certeza o preço (80 €) - não muito convidativo, mas vale pela "causa" de os chatear mesmo, aos tais puritanos - e, ainda que não seja exactamente a mesma coisa que fumar um verdadeiro cigarro, até pode ser que ao menos se consiga com isto evitar os efeitos colaterais da abstinência prolongada.

Esta nova engenhoca fumadora implica no imediato uma espécie de pequena revolução nos costumes: liquidado na origem o pretexto (o fumo passivo) para a proibição, será curioso verificar agora o que mais será inventado para perseguir os novíssimos e-fumadores. Tenho um palpite sobre isto, e um palpite que não é nada de difícil digestão nem requer grandes dotes de adivinhação: deparando com o e-fumo, coisa que nunca tinha passado pela cabeça do mais macabro dos fundamentalistas, aqueles que extraordinariamente se preocupam com a saúde alheia hão-de alegar que ninguém tem o direito de dar cabo da própria saúde.

Nisto, sinceramente, até estou de acordo... para variar. De facto, não me custa absolutamente nada presumir que este "fumo electrónico" poderá vir a ter, a longo ou a médio prazo, consequências muito mais perniciosas para os "fumadores" do que o tabaco propriamente dito. Existe uma reacção química, envolvendo diversas substâncias, todas elas artificiais, que injecta uma certa dose de nicotina no organismo; portanto, pelo menos em teoria, o nicotinodependente poderá aplacar momentânea e transitoriamente a sua dependência. Porém, esta invenção é ainda muito recente e não há, por conseguinte, quaisquer termos de comparação nem estudos ou estatísticas que suportem ou contradigam a sua (relativa) inocuidade. Fumar cigarros (uma invenção de finais do século XVIII) é muito mais pernicioso do que fumar por cachimbo e este muito mais perigoso para a saúde do que os charutos; tudo depende do grau de industrialização, os processos de fabrico, as transformações e os aditivos químicos por que o produto passa, desde a plantação até ao acender do fósforo, e finalmente pela forma ou pelo dispositivo que se usa para inalar (ou não) o tabaco propriamente dito.

No caso dos e-cigarros pura e simplesmente não existe tabaco algum, apenas o seu "princípio activo", por assim dizer, a nicotina. Ora, se o hábito de fumar se resumisse à nicotina, então seria facílimo deixar de fumar - o que, como sabemos, mesmo com injecções, pensos e substitutos diversos daquela substância, é praticamente impossível.

Sem força de vontade, nada feito. Quem quer deixar de fumar, tem de ter primeiro a vontade e depois a força. Só assim conseguirá largar de vez o vício.

Mas, para quem não quer, isto é, para aqueles que nunca tentaram nem querem tentar deixar de fumar, os e-cigarros podem ser uma boa forma de contornar a legislação nacional-socialista vigente.

Uma boa alternativa para os voos intercontinentais, para as longuíssimas, compridíssimas, chatérrimas viagens por via férrea ou por estrada, e também para aqueles eventos públicos onde toda a gente, tão saudável que até enjoa, devora comida até à náusea, emborca bebidas alcoólicas até ao vómito e debita parvoíces até ao infinito.

Fumemos aquela porcaria, pois, os e-cigarros. E que se danem os e-nazis.


Este post foi também publicado no blog do Apdeites.

domingo, 3 de agosto de 2008

segunda-feira, 28 de julho de 2008

HTC: hominídeos todos curtidos

Começou por um simples comentário, aí num blog.

«Afinal, o jovens acumularam anos, tachos, pedestais, sinecuras e mordomias, mas a crise de adolescência continua a mesma.»

Bem, parece-me que falta aqui um factor decisivo para que finalmente compreendamos o estado de perene adolescência em que as actuais elites cristalizaram. Esse factor poderia ser designado de muitas, variadas e complicadíssimas maneiras, mas acho que os termos mais vulgares serão esclarecedores: refiro-me ao "xamon", isto é, "haxe", ou seja, a universal, geralmente aceite e louvada substância que para sempre fixou os comportamentos esquerdistas em geral e infantilizados em particular. Em suma, quero dizer, o que escapou a Marcelo e, pelos vistos, ao Dragão também, foi a "pedra" e seus derivados; por andarem permanentemente, enquanto estudantes e alguns ainda hoje, com uma esplendorosa moca nos cornos (e não com uma chupeta na boca), os nossos governantes e altos quadros conservam na actualidade os mesmos comportamentos cretinos e a mesma ausência absoluta de ideias que ostentavam nos bancos da Faculdade.
Mais afianço que não estou aqui a inventar porra nenhuma; isto é um fenómeno cientificamente comprovado, com estudos intensivos realizados ao longo de décadas por mais do que insuspeitos laboratórios e academias. Já não me recordo ao certo onde li isso, mas é incontestável: uma das milhentas substâncias químicas presentes na Cannabis Sativa L bloqueia o desenvolvimento intelectual (e emocional), pelo que os jovens consumidores conservarão - quando chegarem biologicamente ao estado adulto - características, comportamentos e capacidades mentais iguais às que tinham enquanto adolescentes. E isso compreende-se facilmente se considerarmos que a renovação das células que formam a massa cinzenta pára quando o corpo atinge a maturidade, decrescendo mesmo, gradualmente, a partir dessa altura.
Portanto, quem já era estúpido e dava no charro, agora está bastante mais estúpido e, para agravar a coisa, tem a mania de que ainda é chavalo. Quem não era estúpido e também dava, um bocadinho idem e completamente aspas.
5:07 PM


Fiquei chateado comigo. Então aquilo é assim, manda-se umas bocas e pronto? Não. Pode lá ser. Fui procurar estudos sobre a coisa e... encontrei. Eureka. O THC destrói células neuronais.

"On the basis of the data presented in this study, we conclude that binding of THC to cannabinoid CB1 receptors in hippocampal neurons leads to neuronal death. THC is neurotoxic at concentrations as low as 0.5–1.0 mM, which are comparable to THC levels measured in human plasma after consumption of marijuana cigarettes."
[citação de Journal of Neuroscience (1998)]


Há um outro estudo mais recente, sei que há, porque o li várias vezes, que refere (e demonstra) a ligação intrínseca entre Cannabis e bloqueamento da evolução mental e fixação da personalidade na adolescência. Não o encontro agora, na Web, mas lembro-me perfeitamente de que foi esse o primeiro estudo a provar tal correlação.

Resumindo, a ideia base é que a maior parte dos jovens da Geração Haxe (1975 - 1990) conserva hoje todas as características (linguagem, roupas, hábitos, preferências, ideias políticas, amizades) que tinha aos 14, 15, 16 ou 17 anos, isto é, quando começou a fumar "charros". De facto, é ainda hoje vulgaríssimo ver avôzinhos e avózinhas - com mais do que idade para ter juízo - a comportar-se como se fossem alegres estudantes do Liceu; continuam a falar pelo nariz e a recusar-se a pronunciar algumas palavras em Português (sim, está bem, óptimo, bom, engraçado, amor, namorada/o, velho/a, etc.); mantêm, enquanto coçam os fundilhos nas mesmas cadeiras dos cafés onde "paravam" há 30 anos, exactamente o mesmo aspecto "rebelde", isto é com tendência para envergar militantemente os mesmíssimos andrajos que se usavam quando os The Tubes vieram pela primeira vez a Portugal; ainda hoje, mesmo com filhos casados, alguns já com netos, proferem exactamente as mesmas sentenças e verdades definitivas que dizia qualquer intelectual do Piolho, no Porto, ou da Mexicana, em Lisboa, na já remota época em que Leonid Brejnev ocupava o trono do império soviético.

Não tem nada que enganar, a Geração Haxe está por todo o lado, basta observar os circunstantes, em qualquer recanto do país, e topar-lhes a pinta de retardados (não confundir com saudosistas), a sua atávica aversão ao trabalho - e por vezes à mais elementar higiene -, a forma sempre igual e igualmente obsessiva como continuam a enrolar as suas "brocazitas", o sorrisinho imbecil que arvoram hoje... exactamente o mesmo de sempre, rasgado, falso como uma nota de 15 Euros.

Pois é esta geração - esta é que é a verdadeira Geração Rasca, Vicente Jorge Silva enganou-se - que ocupa hoje os lugares de poder e os de topo em qualquer hierarquia, profissional ou institucional, foi esta gente, abreviando, que engendrou a legislação ferozmente antitabagista e que disseminou a moral assassina da saúde a qualquer preço.

Alguns deles, agora de fato e gravata por dever de ofício, mas ainda andrajosos por debaixo das roupas de marca, decidem em nome dos demais aquilo que julgam ser melhor para todos. Alguns deles, por detrás de muito respeitáveis cãs e mesmo já sofrendo dos achaques da velhice que aí vem a galope, continuam a comportar-se como os jovens irresponsáveis que nunca deixaram de ser. Alguns deles impingem da mesma forma, hoje como no antanho, simples angústias juvenis travestidas de "irreverência" e de "espírito reformista".

E são, por conseguinte, alguns deles, muitos deles, quem agora aparece - à falta de melhor "causa" - condenando os fumadores à forca social e promovendo o consumo de drogas a verdadeiro objectivo de Estado. Ghettos para uns, salas de chuto para outros. Proíba-se o tabaco, persiga-se e carregue-se de impostos os fumadores, mas liberalize-se o consumo de drogas "leves" e financie-se os "agarrados" às drogas "duras".

Parece-me bastante simples a explicação para este fenómeno de inversão de valores. À luz da Ciência, que não mente nem deixa mentir, a causa é clara, objectiva, transparente como água: trata-se de seres humanos que, por terem consumido sistematicamente alucinogénios na juventude, estiolaram definitivamente nessa fase da sua vida; não tendo podido evoluir em aspecto algum, já que as drogas lhes consumiram a capacidade de aprendizagem e a própria faculdade da evolução natural, essas pessoas mantêm hoje a mesma visão das coisas, alucinada e distorcida, de quando se julgavam eternas e detentoras da verdade absoluta.

Mais alucinada e mais distorcida ainda porque alguns deles, se calhar também muitos deles, continuam a dedicar-se à "causa", à tal "causa", a sua, a única que entendem e que se calhar para eles vale mais a pena do que outra qualquer: a dose seguinte.


Nota: este texto contém uma data de coisas que não passaram na revisão automática de texto. Palpita-me que o aborto ortográfico já anda aí nos correctores. Eu cá sou contra o aborto, portanto...

terça-feira, 22 de julho de 2008

Deixem-nos

O preço por m2, num bairro, desce para metade assim que se instala um ghetto ou um acampamento de ciganos nas imediações; o valor de cada apartamento, num prédio desse bairro, desce para metade no momento em que alguma família cigana compra um deles.

Existem gangs de ciganos especializados nesta espécie de extorsão imobiliária: alguém compra em nome deles e, quando a vizinhança protesta ou o construtor vê fugir os potenciais compradores, eles exigem - para sair - o triplo do sinal que tinham dado (conforme está na lei). Depois, os mesmos repetem o processo no bairro seguinte, ou em outra localidade qualquer. Se, porventura, não lhes for oferecida a "compensação" para saírem, então ficam lá e não pagam nada a ninguém - até que uma ordem de despejo sobrevenha, o que pode levar (muitos) anos.

Toda a gente sabe disto e de muitos outros "esquemas" etnicamente marcados.

Já não falo dos "ricos", porque a esses nada toca. Sempre gostaria de saber quantas pessoas de classe média ficam todas contentes quando, de repente, têm a "sorte" de lhes calhar tão amigável, sossegada, pacata vizinhança. Por exemplo, quantos dos doutos "comentadores" deste assunto, quantos dos que falam pelos cotovelos sobre a "exclusão" e o "preconceito", quantos destes têm ciganos na porta ao lado? Ou, já agora, porque diabo não mudam eles mesmos para a excelente, arejada, saudável e muito "in" Quinta da Fonte?

Preconceituoso? Quem? Eu? Náááá. Não sou eu quem pretende internar à força toda uma raça em campos de extermínio cultural. Não fui eu quem inventou a solução final para um etnia ancestral, fechando todos os seus elementos, sem excepção e violentamente, em horrorosos caixotes de tijolo. Não serei eu, nunca, quem se arrogará o direito de dizer aos ciganos o que é melhor para eles, como, onde e com quem devem viver.

Tenho pelos ciganos a mesma estima que eles têm por mim, isto é, pressupõe-se, absolutamente nenhuma. Mas tenho por eles precisamente aquilo que os ciganos mais prezam: o respeito. Respeito pela sua independência, pelas suas tradições e pelo seu direito inalienável à diferença.

Integração forçada é limpeza étnica.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Amén

Café transforma-se em igreja para fumadores
01h39m
Para fugir à proibição do fumo em recintos fechados, o dono de um café em Amesterdão, Holanda, vai consagrar o seu estabelecimento como a "A Igreja Única e Universal dos Fumadores de Deus".

A santa trindade venerada na "igreja" será "o fumo, o fogo e a cinza", precisou Cor Bush, proprietário do café "Le Tilleul" (A Tília), em Alkmaar, no Norte de Amesterdão, acrescentando que pretende defender "a liberdade religiosa", prevista na Constituição da Holanda, país maioritariamente protestante.

Os fiéis que se juntarem no café receberão um mapa e serão autorizados a acender um cigarro.

JN


Recebido por e-mail.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quem te mandou a ti, sapateiro...

és burro todos os dias, tio

Mais uma "excelente" notícia que o DN faz o favor de NÃO publicar na versão online. Deve ser hábito da casa. Nesta notícia, em concreto, a grande novidade é aperceber-se a gente assim, de forma flagrantemente chocante, que o próximo presidente dos USA é um perfeito cretino. Bem, já cá se sabia disso mas, ainda assim, não deixa de ser um bocadinho estranho um gajo dizer "olha, pois é!"

Eu sempre disse...


http://www.youtube.com/watch?v=FGoGb1aYpbc
... que há coisas muito mais perigosas para a saúde do que fumar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

FARC: assassinatos saudáveis

Note-se a beleza da guerrilheira. Naturalmente, está fora de causa que alguma vez tenha fumado um único cigarro. É absolutamente necessário estar em plena forma, quando se anda a libertar o mundo dos males capitalistas, e convenhamos que para o efeito por exemplo desatar a tossir, por causa do maldito vício, não dá mesmo jeiteira nenhuma. Aliás, para liquidar sumariamente ou para torturar seres humanos, aquilo que é preciso já não é ter estômago (ou uma pedra no lugar do coração) mas antes, isso sim, uns pulmõezinhos em excelentes condições.

Mas aquilo, lá nos acampamentos das FARC é tudo assim, como a jovem da foto, belíssimo, limpíssimo, tão saudável que até chateia. Claro que nem todos, nesses acampamentos revolucionários, gozam de uma saúde tão perfeita quanto a da bela revolucionária, mas nada está perdido: parece que os prisioneiros das FARC, obedecendo a normas internas rígidas e puristas, cumprem religiosamente os seus deveres higienistas, respeitando marcialmente os não-fumadores.

Li no blog Blasfémias, e por um breve momento não acreditei (tenho que me ir habituando a este tipo de merdas, à insanidade total que de repente se apossou da humanidade em peso), que os prisioneiros se dividem em dois grupos e que existem áreas para fumadores e para não-fumadores. Perfeitamente distintas, as áreas. Ali a coisa é a sério.

A frase que ilustra esta maravilha, este facto extraordinário, é de uma ex-prisioneira, que pelos vistos passou uma alegre temporada num dos parques-de-campismo das FARC, na companhia de, entre outros ilustres veraneantes, Ingrid Betancourt.

«Eles ficavam na área de fumantes e eu na de não-fumantes e não tínhamos nada a ver.» (Fonte: G1)

Alguém que mê uma martelada na cabeça, fazia o favor. Estou a sonhar, só pode.

Matam, violam, roubam, esfolam, traficam droga, fazem trinta por uma linha, em nome do "socialismo", ou da grandessíssima puta que os pariu, mas lá quanto ao tabaquito... alto! Parou! Essa merda é que não, fumar nunca, hombre, carai!

Daaaa-se! Tirem-me deste filme. Porra, está bem, uma martelada não, mas ao menos um beliscão, chiça, ponham um despertador a tocar, batam uns tachos com toda a força, toquem umas cornetas, qualquer merda, desde que faça barulho, um cagaçal dos diabos, seja o que for, mas por favor alguém que me acorde deste pesadelo.

Imagem alojada (e criada?) no blog Blasfémias.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Possibilities

Michael Hutchence fotografado por Karen Kuehn

sábado, 5 de julho de 2008

Não apaguem a memória


http://www.youtube.com/watch?v=9qoMclt_JfM&feature=related

Nestes conturbadíssimos tempos em que os portugueses se debatem com dificuldades de toda a ordem, e enquanto Portugal esbraceja furiosamente, à míngua de tudo, os campos desertos, os barcos em terra ou abatidos, as minas fechadas, as fábricas abandonadas, enfim, quando o país parece lamentavelmente e inexoravelmente próximo do fim, é extremante reconfortante que possamos ainda recordar os tempos áureos e, de certa forma pujantes, daquela que já foi a mais valiosa indústria nacional, que ficou internacionalmente conhecida como "cerâmica das Caldas".

Neste documento, abrilhantado com uma conhecida e soporífera peça de Richard Clayderman, podemos observar em detalhe o método de fabrico dos mais famosos - se bem que não muito imaginativos - exemplares desta antiquíssima arte oleira, verdadeiro repositório do sentimento lusitano e, porque não dizê-lo, símbolo perene da nossa identidade colectiva.

Quem fala assim...


terça-feira, 1 de julho de 2008

EXCUSE ME??????

Dutch coffee shops weed out tobacco

But now, there is a cloud on the horizon. From Tuesday 1 July, the Dutch will impose a nationwide ban on smoking tobacco in cafes, bars and restaurants - meaning any joints rolled using tobacco will be illegal.

Strictly speaking, marijuana is illegal as well - but it is tolerated. So, perhaps oddly, the smoking of pure grass or hash will still be allowed.

BBC, hoje


Vamos a ver se a gente se entende, porque isto ele não é só o Sócrates que não vê um boi de Inglês. E também, reconheçamo-lo, esta tem de ser muito bem explicadinha, tudo tintim por tintim, porque até a mim - que já tirei um pós-doutoramento (ou seja, tenho uns pós de doutoramento) em estupidologia - a coisa custa a entender.

Vamos lá, então.

Em resumo: na Holanda, passa a ser totalmente proibido fumar TABACO em todos os estabelecimentos de restauração e afins, mas é permitido fumar seja o que for, DESDE QUE NÃO SEJA TABACO. Ou seja, por exemplo, se um gajo puxar de um calhau de haxixe (ou lá como se chama aquela merda), num café ou num restaurante, pode fumá-lo à vontade... DESDE QUE NÃO USE TABACO PARA MISTURAR COM A DROGA.

Peço imensa desculpa pelas grosseiríssimas e deselegantérrimas maiúsculas. Isto é nervos. Já passa.

Ok. Vou tentar explicar outra vez, agora ainda mais devagarinho, não vá alguém não ter entendido: qualquer holandês ou qualquer turista na Holanda pode fumar qualquer tipo de droga em qualquer estabelecimento de restauração, mas não pode misturar um único átomo de tabaco no cigarro ou no cachimbo. Pode-se fumar o que se quiser, se a droga for pura ou se for misturada com outras drogas (não sei se isso se pode fazer, e também me estou altamente cagando para esse detalhe "científico"), mas já é totalmente proibido se a droga for misturada com Nicotiana obtusifolia... a única substância proibida.

Note-se, leia-se a extraordinária notícia por extenso, que só existe agora uma única preocupação decorrente da aplicação da lei: como irão os COITADINHOS dos drogados fazer os seus inocentérrimos charrinhos, se não podem misturar tabaco na maconha, no "boi", na "liamba"? Olha que porra! Mas que grande chatice! Atão e agora?

Eu cá acho que o assunto não deveria dar tanta preocupação e tantas dores de cabeça àquela gentinha lá das holandas. Atrever-me-ia mesmo a sugerir, gratuita e altruisticamente, uma forma alternativa para que os "consumidores" possam continuar a drogar-se dentro da lei, das normas, dos bons usos e costumes holandeses: visto que a pólvora é uma substância tão legal como a Cannabis, seria uma questão de a utilizar em vez do tabaco, na mistura; já agora, e por falar em pólvora, porque se tornaria ainda mais prático e rápido do que a porcaria dos cachimbos-de-água e essas trapalhadas todas, utilize-se uma pistola de carregar pela boca para atafulhar a mistura; por fim, e também para facilitar ainda mais, bastaria meter o cano na boca e puxar o gatilho. Pum. Uma "moca" radical, garantida, supimpa. Eu cá nunca experimentei, mas não custa nada adivinhar que por este método se matariam de uma assentada e com toda a limpeza dois coelhos: por um lado, a operação seria completamente legal, já que o tabaco ficaria totalmente excluído, e por outro lado estaria garantida uma pedrada soberba, única, a verdadeira, a suprema aspiração de qualquer junkie que se preze, a "moca" de uma vida. Claro que haveria um terceiro coelho que também seria morto, com este inovador e inteligentíssimo método, mas isso agora não interessa para nada, pois que os fins - neste caso mais do que em qualquer outro - justificam os meios.

Espero ter, ainda que modestamente, contribuído para que não falte nada ao pessoal da pesada que - e muito justamente - odeia o tabaco, os fumadores, e o mal que esse tipo de merdas faz à saúde. Malefícios que, quanto mais não fosse pela designação científica do dito tabaco, estão perfeitamente à vista e justificam a sua inclusão exclusiva na lista de substâncias proibidas: Nicotiana obtusifolia? Hã? Cruzes! Então não se vê logo que aquilo, além da nicotina, esse veneno horrível, tem e contém reminiscências evidentes de obtusidade e muito poucachinho de folia?

Excuse me?

Smoking ban has saved 40,000 lives
By Jeremy Laurance, Health Editor
Monday, 30 June 2008

The nationwide smoking ban has triggered the biggest fall in smoking ever seen in England, a report says today.
More than two billion fewer cigarettes were smoked and 400,000 people quit the habit since the ban was introduced a year ago, which researchers say will prevent 40,000 deaths over the next 10 years.
The Independent


A ver se sei fazer contas à moda de Londres: 400.000 bifes deixaram de fumar, num ano; isso significa, na douta opinião daqueles "investigadores", que 40.000 almas serão "salvas", nos próximos dez anos; logo, a probabilidade de um fumador contrair cancro, como consequência directa e imediata do seu vício, é de... 10%! Pior (ou melhor, consoante a perspectiva), estes 10% de alminhas "poupadas" têm de ser contabilizados como os empréstimos bancários para compra de casa, ou seja, com "spread": são 10% em dez anos, o que dá o excelente "euribor" de 1% ao ano!!!

E também, como de costume, a todas estas continhas de merceeiro tem de ser aplicada a presunção de que nenhum daqueles 10% de infelizes iria bater as botas nos próximos dez anos, em tendo largado o cigarrinho... ou que iria lerpar, de morte macaca e de certezinha absoluta, se porventura persistisse em fumar.

Eu é que vou morrer, estou certo e nem por um momento duvido, muito em breve e da maneira mais fodida que imaginar se possa, caso continue a ler merdas deste jaez. Que os pariu, é o que de mais filosófico me ocorre dizer.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Por eso estando mi bien

Tango Fumando Espero, também conhecido por Fumar es un placer, celebrizado por Sara Montiel no filme El ultimo cuple de 1957.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cantigas de "bandido"

Na véspera de Santo António, como é hábito no meu círculo, o destino é Alfama. Num pátio privado, onde as contribuições para a ementa tradicional são sempre bem cumpridas e reina a boa disposição, o lema é “traz outro amigo também”. Na noite em que desfilam as marchas bairristas, sempre aparece alguém embriagado pelos manjericos, compondo o ramalhete com o pior da poesia popular. Eis um exemplo duma quadra mal metida:

Lá fora na rua, um agrupamento musical iniciava o “Cheira a Lisboa”, quando o ancião do pátio me estendeu a mão em convite para uma dança, que aceitei colocando de lado o cigarro que acabava de acender. Terminados os passos e entre dois dedos de prosa com aroma a inquérito, o senhor fez questão de me apresentar o neto, retirando-se com um pretexto qualquer. Mais um armado em Santo António – pensei com os meus botões.

A conversa logo se revelou enfadonha, esperando a primeira oportunidade para me escapar educadamente. Preparei-me para fumar um cigarro, procurando na mala o isqueiro que teimava em não aparecer, quando o mocinho me disse: por acaso...? Cedi-lhe um cigarro do maço. Completou a frase enfeitada dum risinho: por acaso não é um extintor? É que estou a arder. Estagnei por segundos, não querendo acreditar no piropo fatela que acabava de ouvir. Indecisa entre o “vai sozinho ou precisa que o mande?” e mais umas quantas que voaram na minha cabeça, dei meia volta e fui saborear o meu cigarro junto dumas amigas que gargalhavam da situação.

No salto de dois cigarros o tempo duma dança e o mote para as conversas que se arrastaram pela noite. Entre as mulheres a sentença foi dada: no que toca a sedução, é proibido canastrão. Havendo gostos para tudo, que não se discutem, nisto de cantigas de “bandido” convém que o radar esteja a funcionar, a modos que o “É proibido fumar” nem sempre soa bem, sendo que o charme é daquelas coisas, ou se tem naturalmente ou não se tem.

Este post também foi publicado no CC&Cª

sábado, 14 de junho de 2008

História do fumo VI - Nem mais


http://www.youtube.com/watch?v=rNj5iCU5mLg

O que tem a União Europeia a ver com o antitabagismo militante? Tudo: o antitabagismo militante é uma das faces visíveis da ditadura politicamente correcta em que vivemos desde, pelo menos, 1986.

O que tem Vladimir Konstantinovich Bukovsky a ver com a União Europeia? Tudo: ele foi uma das vítimas do centralismo burocrático de uma outra União, a Soviética.

12 anos em prisões, gulags e instituições "psiquiátricas" do regime soviético são um currículo mais do que suficiente para que ele tenha compreendido a natureza... contra-natura das ditaduras imperiais, das uniões forçadas de povos, da terraplanagem ideológica de culturas nacionais e da destruição de todos os direitos individuais - em nome de uma utopia teoricamente altruísta. Tudo aquilo, enfim, em que se baseava o império soviético e que explica, por antecipação e por simples analogia, o passado, o presente e o futuro do império europeu.

via

quarta-feira, 11 de junho de 2008

As últimas vontades



Deixa ficar a flor,

a morte na gaveta,

o tempo no degrau.

Conheces o degrau:

o sétimo degrau

depois do patamar;

o que range ao passares;

o que foi esconderijo

do maço de cigarros

fumado às escondidas...

Deixa ficar a flor.

E nem murmures.Deixa

o tempo no degrau,

a morte na gaveta.

Conheces a gaveta:

a primeira da esquerda,

que se mantém fechada.

Quem atirou a chave

pela janela fora?

Na batalha do ódio,

destruam-se,fechados,

sem tréguas,os retratos!

Deixa ficar a flor.

A flor? Não a conheces.

Bem sei.Nem eu.Ninguém.

Deixa ficar a flor.

Não digas nada.Ouve.

Não ouves o degrau?

Quem sobe agora a escada?

Como vem devagar!

Tão devagar que sobe...

Não digas nada.Ouve:

é com certeza alguém,

alguém que traz a chave.

Deixa ficar a flor.


David Mourão Ferreira

Fonte (imagem e texto): As Tormentas

Um bom motivo para deixar de fumar


http://www.youtube.com/watch?v=ucL6pgo3Uj4

Viva Portugal, raios!

Via

Por simples pudor, deixem-me dizer alguma coisa em letra miudinha.

Acrescentar umas coisas meio envergonhadas, encabuladas, sem jeito.

É que isto é esmagador, caramba. Isto, Susana Félix, isto, esta música celestial, este "Flutuo". Absolutamente perfeitas, ela e ela, de uma beleza cálida, reservada, cristalina, tão modesta quanto imponente. Uma beleza simples que lembra, quase dolorosamente, aquela florzinha silvestre que apanhámos - nós todos - algures na nossa infância, e que oferecemos à pessoa de quem mais gostavamos então - a uma amiga querida, a nossa mãe, a nós mesmos quando nos faltava alguém para estender a mão. Perfeitas, ambas as coisas, e sem mácula. Por isso o orgulho, daí a emoção: são portugueses estes dois milagres, valha-me Deus!

P.S.: o videoclip? Genial!

sábado, 31 de maio de 2008

Os 10 mandamentos do fumador

1. Não impingirás o teu fumo ao próximo (ou à próxima).
2. Não acenderás um cigarro assim que acordas.
3. Não fumarás um cigarro até ao filtro.
4. Não pegarás no isqueiro antes de acabar a tua refeição.
5. Não aproveitarás beatas (nem pessoas muito religiosas em geral) para matar o vício.
6. Não frequentarás restaurantes exclusivamente para não-fumadores.
7. Mandarás à merda quem te chatear por fumar em esplanadas, e assim.
8. Tentarás deixar de fumar assim que te for declarado um cancro terminal, ou outra coisinha má do género.
9. Não te armarás em parvo(a), aspirando o fumo com violência, como se não houvesse amanhã.
10. Cagarás de alto e fresco nas parvoíces dos Macabros Correia desta vida.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Gripe dos Sousas

Gripe obriga José Sócrates a receber assistência hospitalar [...] até ironizou sobre o assunto

[01’00’’] «Estou óptimo, e quero garantir o seguinte: é que o médico nada me disse, sobre se esta gripe era consequência de alguma síndrome de abstinência, relativamente ao facto de há 5 dias não fumar»
.

O médico não disse, porque não havia nada a dizer sobre esta estranha ligação, a menos que o próprio doente colocasse essa hipótese. Nesse caso, o médico expunha a impossibilidade da cessação tabágica originar uma gripe, e sempre podia encaminhar o caso para a Psiquiatria, e aí, a panóplia de diagnóstico seria infindável, não para a gripe, mas quiçá para a perturbação mental.



Se não visualizar o vídeo, click AQUI

.

Nota:

Critérios de diagnóstico para 292.0 ABSTINÊNCIA DE NICOTINA [F17.3]

A. Utilização diária de nicotina durante, pelo menos, várias semanas.
B. Interrupção abrupta da utilização de nicotina ou redução da quantidade de nicotina utilizada, seguida nas 24 horas seguintes por quatro ou mais dos sinais seguintes:
(1) humor disfórico ou deprimido;
(2) insónia;
(3) irritabilidade, frustração ou raiva;
(4) ansiedade;
(5) dificuldades da concentração;
(6) inquietação
(7) diminuição da frequência cardíaca;
(8) aumento do apetite ou ganho ponderal.
C. Os sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente significativo ou défices
no funcionamento social, ocupacional ou de outras áreas importantes.
D. Os sintomas não são devidos a um estado físico geral ou a qualquer outra perturbação mental.

In American Psychiatric Association (2002) Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais. DSM-IV-TR, 4ª Ed., pág. 266. Lisboa, Climepsi Editores.

.

Este post foi também publicado no CC&Cª.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Lobo Antunes, fumador


http://www.youtube.com/watch?v=_I-M5HQBn9s

Disclaimer
Deus me livre de ter a mais ínfima admiração pela escrita de António Lobo Antunes. Desde já declaro, expressamente e por extenso, que embirro solenemente com tal personagem. Porém, o simples facto de ele ter puxado de um ou vários cigarros num evento público é, só por si, merecedor de alguma admiração pessoal.

Nota
Este vídeo vale pelos primeiros 10 segundos. No resto, é a habitual (e enjoativa) bajulação - de povinho, circunstantes, basbaques e deslumbrados intelectualóides - ao putativo, relativo, expectante e (felizmente) nunca premiado Nobel da Livralhada.

domingo, 25 de maio de 2008

Enfarte! E agora?



Recebido por e-mail

sábado, 24 de maio de 2008

Confirmação e Pontuacão - 8


O Faustino
8B, R. A Gazeta de Oeiras
2780-171 Oeiras
telefone 21 441 77 47
Encerra ao Domingo.


snap map

  • Duas salas separadas por porta; de decoração, nada de especial a assinalar. Mas: guardanapos de pano; televisão desligada (na sala para fumadores, na outra, pimba); bom serviço, rápido e atencioso.
  • Tem janelas, mas pouco se vê das ditas... e, se se visse, naquele sítio, digamos que a paisagem não seria lá grande coisa. Definitivamente, aquilo é um sítio para se comer, não para ver as vistas.
  • Não tocamos nas entradas (presunto, com bom aspecto), porque já me tinham dito que ali as doses não são para piscos. Para mim, bife de carne argentina ("Angus", 11,50 €); pareceu-me boa escolha, não sei bem porquê; para ela, "tachinho de gambas com ameijoas" (11,90 €); também não sei porquê, pareceu-me má escolha, mas cada um é como cada qual. e vice-versa. Isto tudo regado com um excelente Cartuxa (uma marca de que já não recordo o nome, ao certo), que se fez pagar com 10 euritos, mais um leite-creme (bera, 2 €) e um só café, tudo junto deu 36,20 €. Nada, mas mesmo nada, mau!

Este restaurante vale essencialmente por aquilo que é a essência, mais do que evidente, de qualquer sítio onde se come: a comida. Nisso, cinco estrelas, numa escala de roteiro Michelin. O tal bifinho Angus, mais acompanhamentos, em notas de zero a vinte merecia bem uns... 18; além da extraordinária qualidade da carne (20, porque não posso dar mais), o esparregado (de ervilhas?) estava excelente e as batatas eram... verdadeiras! Não provei o "tachinho", mas a minha companhia afiançou-me que a coisa merecia "um dez". Ora bolas. Bem, mas como eu conheço a sua tremenda esquisitice, e como sei perfeitamente que ela gosta é de luxo, aquele "um dez" vale, em circunstâncias normais, isto é, num sítio acessível, muito mais do que isso: talvez "um dezasseis" ou mesmo "um dezassete". Portanto, à moda dos testes, vem a dar "Muito Bom".

Eu cá, que como por regra munta poucachinho, despachei aquilo quase tudo (o restante foi ela quem aviou, e com elogios pródigos e um bocadinho proletários). Ora, portanto: uma sala exclusiva para fumadores, guardanapos de pano, bom serviço, um ganda bife e um vinhinho de se lhe tirar o chapéu... o que é que se pode querer mais desta vida?

Merece ou não merece o primeiro 4 estrelas deste "roteiro"?

Merece, é claro que merece. E recomenda-se.


Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.

Ah, valente!

O movimento quer reunir cinco mil proprietários para lançar protestos a nível nacional. Nos últimos meses, Hervé tem perscrutado o país à procura de outros revoltosos como ele. Várias centenas de estabelecimentos tiveram de fechar as portas nos últimos meses. "Posso dizer que um em cada dois cafés nas zonas rurais não respeita a lei." Hervé vive também sob ameaça da Associação dos Direitos dos não Fumadores, que lançou uma verdadeira campanha de denúncias, em França, disponibilizando na sua página da Internet formulários para entregar à polícia. Em resposta, e sem temer ser politicamente incorrecto, Hervé insiste sobre os argumentos que justificam uma revisão da lei para manter o direito de um estabelecimento se definir como fumador ou não fumador. "Temos os nossos números. Se em 1951, quando 71% dos homens fumavam em França, havia 30 mil casos de cancro, hoje fumam cerca de 50-60% e os casos de cancro aumentaram para 103 mil. Ou seja, não existe uma relação directa entre o fumo e o cancro."

DN de Hoje, suplemento "Gente"



Anchre
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Alguém sabe se existe alguma coisa semelhante ao mapa do fumador em França? Ou, já agora, em algum outro país da Europa ou... do mundo? Estou farto de procurar e não encontro nada.

domingo, 18 de maio de 2008

Confirmação e Pontuacão - 7


Adega do Augusto
444, Estrada Principal
Rebelva
Carcavelos
telefone 214 570 145
Encerrado 4ª Feira ao jantar e 5ª Feira.


snap map

  • São três salas no total; as duas mais pequenas, contíguas, reservadas para fumadores. Lá de extractores (10 na sala mais pequena!) e de aparelhos de ar-condicionado, ninguém se pode queixar.
  • Decoração simples, até porque é tudo novo; o restaurante foi totalmente remodelado recentemente.
  • Existe uma televisão (com o som ligado) logo à entrada mas, se a gente se refugiar no fundo da 2ª sala, quase não se ouve aquilo.
  • Para um jantar de duas pessoas, e atendendo ao sítio em que estamos (não é propriamente a Côte d'Azur, se bem que esteja a apenas algumas centenas de metros de Carcavelos), não se pode dizer que cerca de 30 € não seja... barato.
  • Desta vez, foram exactamente 20,45 € porque um dos pratos (picanha, 9 €) não foi debitado. Já lá iremos, quanto a isso. O outro prato foi coelho guisado (8,50 €), muito razoável e, dado que felizmente as travessas são bem servidas em quantidade, acabou por quase chegar para os dois. Com uma boa entrada (polvo tradicional, 3,5 €), àgua mineral, vinho "da casa" (2,75 €, da região de Torres Novas, razoável), café e duas sobremesas: tarte de amêndoa (2 €) e um excelente leite-creme (2 €, produção local).

É sempre de louvar que alguém se continue a esmerar com o seu estabelecimento, apesar de todas as dificuldades impostas pela legislação, e em especial quando - como é o caso e até porque a proprietária não fuma - se preocupam com o conforto dos fumadores.

Além disso, a mesma proprietária, neta do fundador da casa, esmerou-se também no atendimento e na simpatia. Como a minha parceira de jantar não apreciou particularmente a picanha (deixou ficar mais de metade, apesar de estar "esganada" de fome), isso não nos foi debitado. Ora, já se sabe, ainda bem que assim foi; poupam-se chatices a toda gente e o restaurante, em vez de perder dois clientes, ganha esses e se calhar muitos mais. Provei a tal picanha e realmente estava mesmo "esquisita"; vamos, portanto, considerar que aquilo foi um pequeno incidente de cozinha, um azar; para a próxima será melhor com certeza.

Quanto mais não seja pelo investimento em equipamentos de exaustão, pela simpatia da neta do Senhor Augusto, pelos preços, pelas quantidades (e pelo leite-creme, não esquecer o leite-creme), este é um sítio a revisitar. Pode mesmo ser um bom local para refeições regulares, em especial para os fumadores que trabalham na zona de Carcavelos.

Não fosse o tal azar com a picanha e mais uma estrelazinha rolaria.

Mas assim, nada mau, hem?


Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.

xkupelá

quinta-feira, 15 de maio de 2008

"Bom povo que lavas no rio"


http://www.youtube.com/watch?v=bqp9SGWKBsc

Palavras e expressões-chave: "acaba por ser mais vício do que outra coisa" (ah, a sério?), "assim que saem pra fora" (eu cá é mais entrar pra dentro, subir pra cima e descer pra baixo), "mastigo pastilhas ou penso noutra coisa" (filha, lá as pastilhas, ainda vá que não vá, agora pensar, cruzes canhoto), "acho qu'ele fez bem" (meu, tás c'uma moca de nicotina que não vês népia), "infringir a lei entre aspas" (e sem aspas, chavalo), "ele é a primeira pessoa de Portugal" (isso quer dizer que a Câncio é a 2ª pessoa? Do singular ou do plural?).

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Jura


http://www.youtube.com/watch?v=pQUbqi2i0xQ


Quando o combate aos malefícios do tabaco é uma preocupação central do Estado, está tudo dito sobre o Estado e sobre as suas prioridades.

Quando a decisão mais corajosa de um governante é deixar de fumar, está tudo dito sobre o governante, as suas decisões e a sua coragem.

Quando a característica principal das sociedades modernas é o desprezo pelo próximo, a preocupação que algumas pessoas manifestam pela minha saúde faz-me desconfiar fundamentalmente das suas intenções.

Quando um fumador diz que "vai" deixar de fumar, isso quer dizer que não vai. E pior ainda se, para anunciar Urbi et Orbi a sua "decisão", utiliza a complicadíssima expressão "decidi deixar de fumar". Bull.

«To cease smoking is the easiest thing I ever did. I ought to know because I've done it a thousand times.*»
Mark Twain

* "Deixar de fumar é facílimo, e sei bem do que falo: eu próprio já deixei de fumar mais de cem vezes" - Mark Twain
(tradução livre)

Este post foi também publicado no Apdeites.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Para memória futura

Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas
13.05.2008 - 13h33 Luciano Alvarez, em Caracas

O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.

O supervisor do voo, a segunda autoridade a bordo logo após o comandante, disse não ter dúvidas de que era proibido fumar a bordo e, embaraçado, falou em “situações de excepção”. Um assessor do primeiro-ministro disse que “é costume” e que as pessoas [que iam a bordo] “não se importaram”.

O Airbus A 330 da TAP saiu de Lisboa às 21h00 de segunda-feira. O filme de segurança foi claro a explicar que aquele era um voo de não-fumadores, as luzes de proibição de fumar mantiveram-se acesas durante todo o percurso de oito horas e no folheto de segurança era também claro e explicado em letras garrafais a proibição.

Pelas 23h00, servida a refeição, alguns membros do gabinete do primeiro-ministro, que seguiam na traseira do avião, onde estavam também os jornalistas, começaram a dirigir-se para a frente da aeronave com maços de tabaco na mão. Falavam entre si no facto de “já se poder fumar”.

O local escolhido era a zona de serviço de pessoal de bordo, na parte da frente do avião que dividia a classe executiva, onde seguia o primeiro-ministro, os ministros e os secretários de Estado, da classe económica. Uma cortina junto à porta de emergência escondia os fumadores dos restantes passageiros. No local o cheiro a fumo era intenso. Um membro do pessoal de bordo aconselhava os fumadores a levarem copos com água para apagar os cigarros.

Atrás das cortinas

Embora escondidos atrás da cortina, os empresários que seguiam mais à frente podiam ver tudo. Pelas 23h30 foi a vez do próprio primeiro-ministro se esconder atrás da cortina e acender um cigarro. Voltaria lá mais uma vez, como o PÚBLICO pode ver, cerca de meia hora mais tarde. Entre alguns dos empresários ouvia-se em surdina frases de espanto e de critica. “O primeiro-ministro que restrigiu e bem o fumo em Portugal devia dar o exemplo. Isto é uma pouca vergonha”, disse ao PÚBLICO, ao abrigo do anonimato, um dos empresários que se mostrava mais agastado com a situação, explicando que estava ali “para tentar fazer negócios e não arranjar problemas”.

Com o avançar da noite as coisas acalmaram junto à “zona de fumo”. Pelas duas da madrugada o primeiro-ministro, membros do seu "staff" e alguns empresários reuniram-se em conversa junto à “zona” fumo, apesar de nesse momento e durante cerca de uma hora estarem acesas as luzes de obrigatoriedade de os passageiros se encontarem sentados e com os cinto de segurança apertados. Nessa altura, alguns já nem se escondiam atrás da cortina para fumar. Pelas 3h05 o próprio primeiro-ministro, que nesse momento falava com alguns gestores da industria farmacêutica, acendeu um cigarro à frente de todos, desta vez também sem se esconder atrás da cortina.

João Raio, supervisor do voo TAP, contactado pelo PÚBLICO ainda durante o voo, começou por dizer que aquele era “um voo fretado” e que “às vezes” aquelas situaçõs aconteciam. Questionado pelo PÚBLICO se era ou não proibido disse não ter dúvidas que era. “Às vezes há estas situações de excepção”. Contou então como as coisas aconteceram. “Algumas horas depois de o voo ter partido o ministro Manuel Pinho foi fumar. Ninguém me tinha perguntado se se podia ou não fumar. Fui falar com o comandante que não gostou da situação, mas que disse para arrranjar uma zona para fumar, se não ainda acabariam a fumar no 'cockpit'”.

Repetiu depois que nem ele não o comandante tinham dúvidas de que era proibido e revelou saber que já em outras ocasiões o primeiro-ministro tinha fumado em voos TAP: “Acho que até já li nos jornais.” Alguns jornalistas que habitualmente acompanham as viagens do primeiro-ministro confirmaram ao PÚBLICO que já não é a primeira vez que José Sócrates fuma nos voos.

Já em Caracas, o PÚBLICO confrontou Luís Bernardo, assessor do primeiro-ministro que acompanhou a viagem, sobre o facto e sobre as criticas que alguns empresários fizeram. “Já é costume. Já aconteceu em outras viagens. Ouvimos as pessoas que não se importaram”, afirmou. O PÚBLICO não viu, nem ouviu em nenhuma ocasião durante as oito horas de voo algum membro do gabinete do primeiro-ministro questionar fosse quem fosse sobre a possibilidade de se fumar a bordo, num voo onde foi sempre claro que tal era proibido.

O PÚBLICO viaja num avião fretado pelo gabinete do primeiro-ministro.
Jornal Público de hoje (este link será muito provavelmente temporário, daí a transcrição integral deste verdadeiro documento)
Via



São tão giros, não são? Eu cá acho muito bem que eles fumem no avião, ou onde lhes der na real gana. Também acho perfeitamente que grande parte dos restaurantes de luxo, ou de 1ª classe, tenha área para fumadores. E que haja excepções, sempre em função da "categoria" do dono dos pulmões que fumam.

Isto é apenas mais uma prova de que o antitabagismo militante se destina (não só, mas também) a manter à distância os tesos em geral e o povo em particular. Conheço bem, conheço de gingeira, a icterícia que a pobreza inevitavelmente provoca na burguesia... e principalmente na casta dos novos-ricos.

Note-se também aquela última frase, no artigo. É espantoso. Dizem eles que o jornal (ou seja, os jornalistas, os fotógrafos & etc.) "viaja num avião fretado pelo gabinete do primeiro-ministro". À borla, por conseguinte. Ou, melhor dito, à conta do contribuinte! Eles e todos os outros jornalistas, para já não falar da restante comitiva (incluindo 80 empresários), vão fazer turismo para a Venezuela à nossa custa, vão na calma e calmamente fumando e, ainda por cima, alguns deles "queixam-se" da fumarada a bordo e outros bufam quem vai a fumar. Caramba, que são mesmo uma cambada de ingratos!

domingo, 11 de maio de 2008

Belíssima

«Não vejo qualquer vantagem em morrer saudável.»
Constança Cunha e Sá, DN.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

História do fumo V - Versos

[…]
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como a uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
[…]

Excerto de "Tabacaria" (15/01/1928) de Álvaro de Campos

terça-feira, 6 de maio de 2008

1908

A melhor maneira de morrer


Muito se tem discutido este problema, ainda que nem sempre com abundancia de testemunhas, por motivos faceis de comprehender. Mas, geralmente, tendem todos a affirmar que as mortes violentas não são tão dolorosas como se julga, antes pelo contrario. Assim, um homem de sciencia, que estudou muito este assumpto, confirma, da maneira mais positiva, que é preferivel morrer queimado vivo, a morrer de uma pneumonia; que é menos doloroso cahir de um telhado, do que soffrer um ataque de diphteria; e que é mais suave a agonia da pessoa que morre de um tiro, do que a d'aquella que morre tysica.

O mesmo homem de sciencia diz o seguinte:

_ Ser queimado ou cosido vivo, não produz tormentos tão intensos como geralmente se imagina. Os soffrimentos mais crueis não são provocados pelos nervos da superficie do corpo, mas pelas perturbações de algum centro nervoso importante. Quando um individuo é queimado vivo, ou é morto por qualquer accidente repentino, os grandes centros nervosos não soffrem alteração dolorosa; a rapidez do accidente produz uma especie de torpor e de paralysia em todo o systema nervoso. A maioria das pessoas que cahem de uma grande altura, chegam ao chão sem sentidos. As victimas de desastres em caminhos de ferro, também não sentem quasi nada nos primeiros momentos. A morte mais dolorosa, que se conhece, é, seguramente, a produzida pelo tétano, porque affecta directamente os centros nervosos. Os musculos contrahem-se e formam nós, causando assim dores agudíssimas e espantosas. Não é possível imaginar horrores nem soffrimentos maiores do que os do infeliz que morre d'essa doença.
(...)
Os soldados, que são feridos gravemente n'uma batalha, dizem que a primeira sensação é a de uma pancada violenta, e que as dores não os atormentam senão passado algum tempo.

Nos casos de morte violenta e repentina, o soffrimento é mais moral do que physico, e o pensamento vôa com tanta rapidez que distrahe a attenção a ponto de fazer esquecer as feridas.

Sigrist, o famoso alpinista, que caiu de costas, do alto do monte Korpfstoch, diz:
_ Os momentos em que estive ás portas da morte foram os mais felizes da minha vida. Não perdi a coragem nem um só momento, nem senti a menor dôr nas innumeras feridas que recebi na minha queda pelo precipicio.

O professor Heim, o eminente geologo da Universidade de Zurich, corrobora a affirmativa de Sigrist. Esse professor cahiu tambem de uma altura de cem pés, no monte Santis, e, descrevendo as suas sensações, diz:
_ A minha queda durou só cinco ou seis segundos, mas precisaria, pelo menos, de duas horas, para poder referir todos os pensamentos agradáveis e todas as emoções que senti em tão curto espaço de tempo. Pensei no cognac que trazia no bolso, em um frasco, e no bem que me faria, se sobrevivesse à queda. Passaram-me pela mente todos os episodios gratos da minha vida, desde a meninice, e até me lembrei de partidas que tinha feito ha muitos annos. Depois, vi um ceu azul, magnifico, aberto para me receber. Tudo parecia sorrir-me. Parecia que fluctuava suavemente no espaço. De repente, senti uma pancada surda, e um veu negro cobriu-me por completo a imaginação. D'aqui deduzo, por experiencia propria, que as pessoas que morrem violentamente, expiram felizes e sem soffrimento. O sentimento que as domina é o da surprêsa, mas não desagradavel.

Se se examinarem as fisionomias de dez pessoas, que tenham morrido na cama e as de outras dez que tenham soffrido morte violenta, ver-se-ha que a expressão d'estas manifesta mais felicidade e mais serenidade que a das outras.

Aqui teem os leitores o que dizem os sabios. Uns procuram as regras de bem viver. Outros, as de bem morrer... É uma felicidade haver sabios!

Almach Bertrand n.º9, páginas 65/66, Lisboa, 1908


Em 1976, tive um acidente de viação: três dias em coma e algumas peças partidas, além daquelas que terão ficado avariadas de vez. Lembro-me perfeitamente de várias coisas, principalmente das mais agradáveis. Este texto, escrito quase 70 anos antes, fez-me recordá-las com... saudade!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Suicide-se com moderação, s.f.f.

----- Original Message -----
Sent: Wednesday, April 30, 2008 11:44 AM
Subject: fumador.cedilha.net

Agradeço ao  João Graça a ideia dum sítio onde quem gosta de fumar pode encontrar ajuda na escolha dos cafés e restaurantes “civilizados “.    Todos podem  e devem conviver, sem incomodar  ou  coartar a liberdade e o prazer de ninguém.

A lista reunida desses locais já me  foi  muito útil ,  em  Lisboa e  no  Porto.

Quero também contribuir com  a indicação de mais três  restaurantes  :

“ Chá da esperança “  na rua da Esperança   e   “ Frade dos Mares “  na Av. D. Carlos I   (largo do chafariz  --Santos )

Há ainda  o restaurante  “Yasmin “  no  jardim ao lado da Mercado da Ribeira.

Saudações a todos os que têm  colaborado


p.s.—parece-me recomendável  «fumar com moderação »



Depois de pessoalmente ter respondido a tão amável e colaborante missiva, cumpre esclarecer alguma coisinha sobre aquele derradeiro e quiçá misterioso post scriptum.

Aliás, devo agradecer à nossa companheira de fumaradas a oportunidade que aquela sugestão me proporciona, já que desde há muito tempo pretendia falar aqui do assunto.

Como todos sabemos, qualquer anúncio a bebidas alcoólicas tem aposta a generosa e da ordem frasezinha "beba com moderação", ou algo equivalentemente patético; já nos maços de tabaco (não nos anúncios, porque a publicidade ao dito é expressamente proibida) a coisa é logo a matar, por assim dizer, em sentido literal; dizem-nos, nossos incógnitos e enigmáticos benfeitores, que "Fumar Mata", por exemplo. No tabaco é logo, pimba, "vais morrer, cão" (ou coisa do género), mas lá na cervejinha, no "uísquezinho" ou na pinga em geral, bem mais avisados e maneirinhos são os letreiros, os apelos à contenção, ou lá o que raio é aquilo. Aliás, no que diz respeito à gasolina de avião para emborcar (vulgo, bebidas alcoólicas), esses "apelos" costumam ser precedidos por uma introdução ainda mais parva: "seja responsável".

Eu cá acho que, nestes assuntos de saúde pública, não deve haver meias palavras ou coisinhas chochas. Se querem apelar à consciência dos bebedores, então deveriam entrar também a matar, utilizando as tácticas de guerra psicológica do "antitabagismo" fundamentalista. Assim como escrevem nos maços que "Fumar Mata", deveriam escarrapachar nas "botellas" fosse do que fosse algo como "Beber Mais Mata Mais Depressa" ou, outra sugestão super-criativa, "Vais Beber, Vais-te Foder", por exemplo. Como equivalente ao "Fumar pode provocar morte lenta e dolorosa", porque não grafar em garrafas e copos "Beber Dá Cirroses Muito Jeitosas" ou "O Álcool é Bera com'á Ferrugem"?

Já agora, em vez de se recomendar ao bebedor que "beba com moderação", que tal completar a frase convenientemente? Ficaria assim: "beba com moderação, sua ganda besta" ou, que sei eu, em vez de "ganda besta", punha-se "seu animal", ou "ó caramelo", ou ainda "se não, leva tau-tau".

A escola fundamentalista, em especial na disciplina dedicada à saúde alheia (vulgo, pública), não enxergando mais do que meio palmo adiante do próprio umbigo, recusa liminarmente qualquer espécie de senso, seja ele bom ou apenas comum. Estes letreiros, quanto ao fumo ou quanto ao álcool, surtem tanto efeito como tentar convencer uma criança de que os bombons fazem mal "à barriga"; para começar, criança alguma sabe ao certo o que vem a ser isso da "barriga" e, por conseguinte e muito acertadamente, a dita criança sentir-se-á decerto enganada pelo adulto que a tenta convencer de algo totalmente absurdo, porque inexistente, vago, indefinido.

Alguém presumirá, porventura, que algum daqueles recadinhos pseudo-altruístas colheu o mais ínfimo dos efeitos? Que alguma vez algum fumador deixou de fumar o seu cigarrinho ou uma pessoal normal de beber o seu "uísquezinho"? Como? Hem? Diga? Por causa daquela merda estar ali escrita? Nunca!

Muito provavelmente, a servirem aqueles dizeres para alguma coisa, será com certeza pela inversa, isto é, acicatando ainda mais o fumador para acender mais um cigarro ou levando qualquer pessoa a encher de novo o copo. Quanto mais não seja, pela sensação típica de "que se lixe, assim com'assim, é p'rá desgraça".

Não confundamos, no entanto, beber com fumar; mantenhamos as coisas devidamente em separado, porque são óbvia e completamente diferentes. Nenhum fumador se intoxica até cair para o lado ou sequer até ficar tonto, perder o equilíbrio, desatar a dizer asneiras e chatear toda gente; fumar não implica nem pressupõe o risco de vir a bater na mulher (ou no marido) apenas por desfastio ou de armar barracadas e desacatos diversos em tudo quanto é sítio. Por mais que os maníacos da saúde o tentem fazer crer, não existe a figura típica do "fumador da aldeia"; é uma impossibilidade técnica que alguém passe a viver na rua ou ande a arrumar carros por causa do seu vício tabágico. O alcoolismo é uma patologia com graves reflexos pessoais, familiares e sociais, fumar é um hábito de cariz social potencialmente perigoso para a saúde do indivíduo. Por outro lado, o risco de que o hábito de beber álcool se transforme em alcoolismo não pode sequer ser comparado a que o hábito de fumar se transforme em tabagismo - que não é designação de uma doença, mas de uma temática (ou problemática).

Um fumador não anda (não deve andar) por aí a arrebanhar fumadores, a convidar outros para "só mais um, p'ró caminho". Não alicia ninguém para fumar, muito menos menores; pelo contrário, faz o que pode (deve fazer) para que os jovens não comecem a dar umas baforadas e ajuda (deve ajudar) quem pretende deixar o tabaco. O fumador não incomoda (não deve incomodar) ninguém com o seu fumo e não tenta sequer (não deve tentar) justificar aquilo que sabe perfeitamente não ser justificável.

Porém, o fumador (consciente) também não tem nada que dizer aos outros aquilo que é melhor para eles ou aquilo que mais lhes convém. Esse tipo de moralidade podre, essa tendência para impingir balelas ao próximo, a necessidade compulsiva de babar palermices paternalistas para cima de qualquer desconhecido, isso sim, como vemos e sabemos, é típico de bêbedos inveterados.

Os mesmos que se entretêm, entre dois soluços avinhados, a inventar as tais frases lapidares de apelo à "responsabilidade e à "moderação". Consciência pesada, é o que é.