sexta-feira, 11 de julho de 2008

FARC: assassinatos saudáveis

Note-se a beleza da guerrilheira. Naturalmente, está fora de causa que alguma vez tenha fumado um único cigarro. É absolutamente necessário estar em plena forma, quando se anda a libertar o mundo dos males capitalistas, e convenhamos que para o efeito por exemplo desatar a tossir, por causa do maldito vício, não dá mesmo jeiteira nenhuma. Aliás, para liquidar sumariamente ou para torturar seres humanos, aquilo que é preciso já não é ter estômago (ou uma pedra no lugar do coração) mas antes, isso sim, uns pulmõezinhos em excelentes condições.

Mas aquilo, lá nos acampamentos das FARC é tudo assim, como a jovem da foto, belíssimo, limpíssimo, tão saudável que até chateia. Claro que nem todos, nesses acampamentos revolucionários, gozam de uma saúde tão perfeita quanto a da bela revolucionária, mas nada está perdido: parece que os prisioneiros das FARC, obedecendo a normas internas rígidas e puristas, cumprem religiosamente os seus deveres higienistas, respeitando marcialmente os não-fumadores.

Li no blog Blasfémias, e por um breve momento não acreditei (tenho que me ir habituando a este tipo de merdas, à insanidade total que de repente se apossou da humanidade em peso), que os prisioneiros se dividem em dois grupos e que existem áreas para fumadores e para não-fumadores. Perfeitamente distintas, as áreas. Ali a coisa é a sério.

A frase que ilustra esta maravilha, este facto extraordinário, é de uma ex-prisioneira, que pelos vistos passou uma alegre temporada num dos parques-de-campismo das FARC, na companhia de, entre outros ilustres veraneantes, Ingrid Betancourt.

«Eles ficavam na área de fumantes e eu na de não-fumantes e não tínhamos nada a ver.» (Fonte: G1)

Alguém que mê uma martelada na cabeça, fazia o favor. Estou a sonhar, só pode.

Matam, violam, roubam, esfolam, traficam droga, fazem trinta por uma linha, em nome do "socialismo", ou da grandessíssima puta que os pariu, mas lá quanto ao tabaquito... alto! Parou! Essa merda é que não, fumar nunca, hombre, carai!

Daaaa-se! Tirem-me deste filme. Porra, está bem, uma martelada não, mas ao menos um beliscão, chiça, ponham um despertador a tocar, batam uns tachos com toda a força, toquem umas cornetas, qualquer merda, desde que faça barulho, um cagaçal dos diabos, seja o que for, mas por favor alguém que me acorde deste pesadelo.

Imagem alojada (e criada?) no blog Blasfémias.

1 comentário:

Curiosa disse...

Tendo em conta o bom aspecto destes reféns (pelo menos os que aparecem nas notícias) recentemente libertados, o campo de prisioneiros deve ser estilo um resort com tudo do bom e do melhor, num ambiente paradisíaco que embriaga os sentidos, atento a todos os detalhes inclusive os cuidados com os não fumadores. Como se o rapto não fosse mais que um mero convite, para verem quão cómoda seria a Colômbia se as FARC estivessem no poder. E viva a cocaína.

Poderão alegar que Clara Rojas se referiu ao tipo de relações interpessoais que se criaram no resort e não propriamente a zonas com estratores de fumo e afins, talvez. Todavia, a proximidade dos fumadores (ou não fumadores) não é linear, e as pessoas aproximam-se por diversos motivos.

Mesmo assim, estes prisioneiros têm uma sorte bestial, até lhes fornecem no resort cigarros para acalmar o vício, claro, tudo fabrico artesanal com folha de coca, tudo do mais natural que há. Futuramente virá a saber-se que os prisioneiros são organizadas por castas, cada qual com os seus privilégios.

Porra, que farsa.