terça-feira, 1 de julho de 2008

EXCUSE ME??????

Dutch coffee shops weed out tobacco

But now, there is a cloud on the horizon. From Tuesday 1 July, the Dutch will impose a nationwide ban on smoking tobacco in cafes, bars and restaurants - meaning any joints rolled using tobacco will be illegal.

Strictly speaking, marijuana is illegal as well - but it is tolerated. So, perhaps oddly, the smoking of pure grass or hash will still be allowed.

BBC, hoje


Vamos a ver se a gente se entende, porque isto ele não é só o Sócrates que não vê um boi de Inglês. E também, reconheçamo-lo, esta tem de ser muito bem explicadinha, tudo tintim por tintim, porque até a mim - que já tirei um pós-doutoramento (ou seja, tenho uns pós de doutoramento) em estupidologia - a coisa custa a entender.

Vamos lá, então.

Em resumo: na Holanda, passa a ser totalmente proibido fumar TABACO em todos os estabelecimentos de restauração e afins, mas é permitido fumar seja o que for, DESDE QUE NÃO SEJA TABACO. Ou seja, por exemplo, se um gajo puxar de um calhau de haxixe (ou lá como se chama aquela merda), num café ou num restaurante, pode fumá-lo à vontade... DESDE QUE NÃO USE TABACO PARA MISTURAR COM A DROGA.

Peço imensa desculpa pelas grosseiríssimas e deselegantérrimas maiúsculas. Isto é nervos. Já passa.

Ok. Vou tentar explicar outra vez, agora ainda mais devagarinho, não vá alguém não ter entendido: qualquer holandês ou qualquer turista na Holanda pode fumar qualquer tipo de droga em qualquer estabelecimento de restauração, mas não pode misturar um único átomo de tabaco no cigarro ou no cachimbo. Pode-se fumar o que se quiser, se a droga for pura ou se for misturada com outras drogas (não sei se isso se pode fazer, e também me estou altamente cagando para esse detalhe "científico"), mas já é totalmente proibido se a droga for misturada com Nicotiana obtusifolia... a única substância proibida.

Note-se, leia-se a extraordinária notícia por extenso, que só existe agora uma única preocupação decorrente da aplicação da lei: como irão os COITADINHOS dos drogados fazer os seus inocentérrimos charrinhos, se não podem misturar tabaco na maconha, no "boi", na "liamba"? Olha que porra! Mas que grande chatice! Atão e agora?

Eu cá acho que o assunto não deveria dar tanta preocupação e tantas dores de cabeça àquela gentinha lá das holandas. Atrever-me-ia mesmo a sugerir, gratuita e altruisticamente, uma forma alternativa para que os "consumidores" possam continuar a drogar-se dentro da lei, das normas, dos bons usos e costumes holandeses: visto que a pólvora é uma substância tão legal como a Cannabis, seria uma questão de a utilizar em vez do tabaco, na mistura; já agora, e por falar em pólvora, porque se tornaria ainda mais prático e rápido do que a porcaria dos cachimbos-de-água e essas trapalhadas todas, utilize-se uma pistola de carregar pela boca para atafulhar a mistura; por fim, e também para facilitar ainda mais, bastaria meter o cano na boca e puxar o gatilho. Pum. Uma "moca" radical, garantida, supimpa. Eu cá nunca experimentei, mas não custa nada adivinhar que por este método se matariam de uma assentada e com toda a limpeza dois coelhos: por um lado, a operação seria completamente legal, já que o tabaco ficaria totalmente excluído, e por outro lado estaria garantida uma pedrada soberba, única, a verdadeira, a suprema aspiração de qualquer junkie que se preze, a "moca" de uma vida. Claro que haveria um terceiro coelho que também seria morto, com este inovador e inteligentíssimo método, mas isso agora não interessa para nada, pois que os fins - neste caso mais do que em qualquer outro - justificam os meios.

Espero ter, ainda que modestamente, contribuído para que não falte nada ao pessoal da pesada que - e muito justamente - odeia o tabaco, os fumadores, e o mal que esse tipo de merdas faz à saúde. Malefícios que, quanto mais não fosse pela designação científica do dito tabaco, estão perfeitamente à vista e justificam a sua inclusão exclusiva na lista de substâncias proibidas: Nicotiana obtusifolia? Hã? Cruzes! Então não se vê logo que aquilo, além da nicotina, esse veneno horrível, tem e contém reminiscências evidentes de obtusidade e muito poucachinho de folia?

Excuse me?

Smoking ban has saved 40,000 lives
By Jeremy Laurance, Health Editor
Monday, 30 June 2008

The nationwide smoking ban has triggered the biggest fall in smoking ever seen in England, a report says today.
More than two billion fewer cigarettes were smoked and 400,000 people quit the habit since the ban was introduced a year ago, which researchers say will prevent 40,000 deaths over the next 10 years.
The Independent


A ver se sei fazer contas à moda de Londres: 400.000 bifes deixaram de fumar, num ano; isso significa, na douta opinião daqueles "investigadores", que 40.000 almas serão "salvas", nos próximos dez anos; logo, a probabilidade de um fumador contrair cancro, como consequência directa e imediata do seu vício, é de... 10%! Pior (ou melhor, consoante a perspectiva), estes 10% de alminhas "poupadas" têm de ser contabilizados como os empréstimos bancários para compra de casa, ou seja, com "spread": são 10% em dez anos, o que dá o excelente "euribor" de 1% ao ano!!!

E também, como de costume, a todas estas continhas de merceeiro tem de ser aplicada a presunção de que nenhum daqueles 10% de infelizes iria bater as botas nos próximos dez anos, em tendo largado o cigarrinho... ou que iria lerpar, de morte macaca e de certezinha absoluta, se porventura persistisse em fumar.

Eu é que vou morrer, estou certo e nem por um momento duvido, muito em breve e da maneira mais fodida que imaginar se possa, caso continue a ler merdas deste jaez. Que os pariu, é o que de mais filosófico me ocorre dizer.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Por eso estando mi bien

Tango Fumando Espero, também conhecido por Fumar es un placer, celebrizado por Sara Montiel no filme El ultimo cuple de 1957.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cantigas de "bandido"

Na véspera de Santo António, como é hábito no meu círculo, o destino é Alfama. Num pátio privado, onde as contribuições para a ementa tradicional são sempre bem cumpridas e reina a boa disposição, o lema é “traz outro amigo também”. Na noite em que desfilam as marchas bairristas, sempre aparece alguém embriagado pelos manjericos, compondo o ramalhete com o pior da poesia popular. Eis um exemplo duma quadra mal metida:

Lá fora na rua, um agrupamento musical iniciava o “Cheira a Lisboa”, quando o ancião do pátio me estendeu a mão em convite para uma dança, que aceitei colocando de lado o cigarro que acabava de acender. Terminados os passos e entre dois dedos de prosa com aroma a inquérito, o senhor fez questão de me apresentar o neto, retirando-se com um pretexto qualquer. Mais um armado em Santo António – pensei com os meus botões.

A conversa logo se revelou enfadonha, esperando a primeira oportunidade para me escapar educadamente. Preparei-me para fumar um cigarro, procurando na mala o isqueiro que teimava em não aparecer, quando o mocinho me disse: por acaso...? Cedi-lhe um cigarro do maço. Completou a frase enfeitada dum risinho: por acaso não é um extintor? É que estou a arder. Estagnei por segundos, não querendo acreditar no piropo fatela que acabava de ouvir. Indecisa entre o “vai sozinho ou precisa que o mande?” e mais umas quantas que voaram na minha cabeça, dei meia volta e fui saborear o meu cigarro junto dumas amigas que gargalhavam da situação.

No salto de dois cigarros o tempo duma dança e o mote para as conversas que se arrastaram pela noite. Entre as mulheres a sentença foi dada: no que toca a sedução, é proibido canastrão. Havendo gostos para tudo, que não se discutem, nisto de cantigas de “bandido” convém que o radar esteja a funcionar, a modos que o “É proibido fumar” nem sempre soa bem, sendo que o charme é daquelas coisas, ou se tem naturalmente ou não se tem.

Este post também foi publicado no CC&Cª

sábado, 14 de junho de 2008

História do fumo VI - Nem mais


http://www.youtube.com/watch?v=rNj5iCU5mLg

O que tem a União Europeia a ver com o antitabagismo militante? Tudo: o antitabagismo militante é uma das faces visíveis da ditadura politicamente correcta em que vivemos desde, pelo menos, 1986.

O que tem Vladimir Konstantinovich Bukovsky a ver com a União Europeia? Tudo: ele foi uma das vítimas do centralismo burocrático de uma outra União, a Soviética.

12 anos em prisões, gulags e instituições "psiquiátricas" do regime soviético são um currículo mais do que suficiente para que ele tenha compreendido a natureza... contra-natura das ditaduras imperiais, das uniões forçadas de povos, da terraplanagem ideológica de culturas nacionais e da destruição de todos os direitos individuais - em nome de uma utopia teoricamente altruísta. Tudo aquilo, enfim, em que se baseava o império soviético e que explica, por antecipação e por simples analogia, o passado, o presente e o futuro do império europeu.

via

quarta-feira, 11 de junho de 2008

As últimas vontades



Deixa ficar a flor,

a morte na gaveta,

o tempo no degrau.

Conheces o degrau:

o sétimo degrau

depois do patamar;

o que range ao passares;

o que foi esconderijo

do maço de cigarros

fumado às escondidas...

Deixa ficar a flor.

E nem murmures.Deixa

o tempo no degrau,

a morte na gaveta.

Conheces a gaveta:

a primeira da esquerda,

que se mantém fechada.

Quem atirou a chave

pela janela fora?

Na batalha do ódio,

destruam-se,fechados,

sem tréguas,os retratos!

Deixa ficar a flor.

A flor? Não a conheces.

Bem sei.Nem eu.Ninguém.

Deixa ficar a flor.

Não digas nada.Ouve.

Não ouves o degrau?

Quem sobe agora a escada?

Como vem devagar!

Tão devagar que sobe...

Não digas nada.Ouve:

é com certeza alguém,

alguém que traz a chave.

Deixa ficar a flor.


David Mourão Ferreira

Fonte (imagem e texto): As Tormentas

Um bom motivo para deixar de fumar


http://www.youtube.com/watch?v=ucL6pgo3Uj4

Viva Portugal, raios!

Via

Por simples pudor, deixem-me dizer alguma coisa em letra miudinha.

Acrescentar umas coisas meio envergonhadas, encabuladas, sem jeito.

É que isto é esmagador, caramba. Isto, Susana Félix, isto, esta música celestial, este "Flutuo". Absolutamente perfeitas, ela e ela, de uma beleza cálida, reservada, cristalina, tão modesta quanto imponente. Uma beleza simples que lembra, quase dolorosamente, aquela florzinha silvestre que apanhámos - nós todos - algures na nossa infância, e que oferecemos à pessoa de quem mais gostavamos então - a uma amiga querida, a nossa mãe, a nós mesmos quando nos faltava alguém para estender a mão. Perfeitas, ambas as coisas, e sem mácula. Por isso o orgulho, daí a emoção: são portugueses estes dois milagres, valha-me Deus!

P.S.: o videoclip? Genial!