quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
«Um amor que arde e até se vê»
Via Destak, 12 de Abril de 2011, Edição nº 1573, pág. 4

Estará a proibição de fumar em locais públicos a condicionar a forma como nos relacionamos socialmente e, ainda mais especificamente, a nível amoroso? A resposta é sim.
Espelhando aquilo que acontece nos restantes países antitabágicos, em Portugal, apesar de ainda não existirem dados oficiais, a lei começa já a mudar os rituais de socialização, não obstante ter sido implementada há apenas três anos. O smirting, a prática de fumar (smoking) e de namoriscar (flirting) à porta de locais públicos como bares, restaurantes, cafés, escolas, hospitais, tribunais e outros onde seja expressamente proibido fumar, já está implementado em Portugal.
Só que, a exemplo do que acontece com os namoros iniciados via Internet, por muito que saiba bem, às vezes (ainda) parece mal contar aos pais e aos amigos ‘velhos do Restelo’ que se conheceu a cara-metade entre uma baforada e outra.
Se desde sempre a táctica do «tem lume?» ou «não me dava um cigarrinho?» fez parte da cartilha do engate, agora ela é cada vez mais eficaz. Entre fumadores, a angústia (o transtorno, a chatice) de interromper o que se está a fazer para ir lá fora inalar a sua dose preciosa de nicotina é motivo mais do que suficiente para que se crie um elo mais forte que qualquer discrepância etária, social, religiosa ou política.
Desde 2008, também os fumadores portugueses são uma espécie de ‘geração à rasca’, convenhamos, que ainda não se mentalizou de que esta é uma mudança, muito provavelmente, para toda a vida.
Novos hábitosEm Março de 2005, quando na Irlanda foi instituída a lei antitabágica, assistimos em primeira mão a este partilhar de mágoas à porta de um conhecido bar da cidade. Lá, onde 25% dos casais que começaram a namorar em 2007 ou 2008 estreitaram laços enquanto fumavam à porta de um local público, uma finlandesa explicava então que era apenas «uma questão de hábito». Mais: na empresa onde trabalhava, o ‘castigo’ de ir fumar à rua favorecera o intercâmbio entre profissionais de vários sectores de uma mesma empresa que, em condições normais, nunca trocariam uma palavra...
Atento ao fenómeno no seu país, o irlandês David Lowe escreveu o Good Guide to Smirting, um manual com dicas para a conquista sentimental de cigarro na mão. Ter sempre um isqueiro pronto a usar, aguardar pela chuva – em caso de mau tempo os fumadores ficam mais juntos, protegendo-se da intempérie debaixo de sombrinhas e varandas – e treinar o charme no gesto de pegar no cigarro e inalar é a receita para um amor que arde... e até se vê.
As múltiplas faces de um fenómeno a nível mundialNOVAS QUEIXASEm Espanha já não é só do fumo que a população se queixa mas sim do ruído que os fumadores fazem na rua por causa do smirting.
‘SMORKING’O acto de namoriscar enquanto se fuma é apenas uma das nuances das conversas informais à porta de um local público. O smorking (smoking +working) é, provavelmente, a maior tendência quando colegas de ofício comentam questões de trabalho enquanto partilham cigarros.
‘SMARRASING’Se é daqueles que, entre baforadas, não se coíbe de comentar as indumentárias envergadas por quem passa ou por quem ali esteve a seu lado, saiba que está a praticar smarrasing, uma combinação de smoking com harrasing (assediar). No momento de exercitar a má-língua, o melhor será pensar duas vezes, não vá o caro leitor ser a próxima vítima.
‘SMURFING’Nas pausas para fumar, os mais tímidos ou anti-sociais podem optar pelo smurfing, a contracção do acto de fumar com o hábito de navegar na Internet via telemóvel. Já não é segredo que o aparelho tem servido como uma espécie de ‘bengala’ social para quem não sabe lidar com a solidão.
‘SMORING’De todos os fenómenos, o pior que lhe pode acontecer é cair no smoring (uma derivação de boring), que é como quem diz aborrecer os outros com as suas conversas.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Também nem tanto, mas...
Quem não fumar, é multado!
18h15m
Na província de de Hubei, na China , os funcionários públicos são obrigados a fumar. Quem não o fizer é multado.
A nova regulamentação determina o número de cigarros que devem ser consumidos e as marcas que devem ser compradas pelos funcionários públicos.
No final do ano, em toda a província, devem ser consumidos 230 mil maços de cigarros de marcas locais, com o intuito de impulsionar a economia.
"O regulamento irá impulsionar a economia local através do imposto sobre o cigarro", explica um governante local ao Global Times.
Apesar da nova regulamentação incluir punição para aqueles que não obedecerem, ainda foram decretadas aplicação de outras multas. Alguns fumadores já foram ameaçados depois de serem encontrados restos de cigarros fabricados em outra província.
Na China há cerca de 350 milhões de fumadores, e cada ano morre cerca de 1 milhão de pessoas devido a doenças provocadas pelo tabaco.
[Jornal de Notícias de hoje]
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Não há vagas
Fizeram-me chegar a notícia de que o “tabaco é mais perigoso do que excesso de peso”. Pois bem, leitura feita e fico a saber numa única frase, aliás em quatro palavras, «fumar importa muito mais» e isto num artigo que assenta num estudo longitudinal sobre o Índice de Massa Corporal.
Lá vai o tempo – crise existencial que durou a eternidade duns segundos - em que tentei aderir ao clube dos imortais, aqueles que não comem, não bebem, não fumam, não… mas a resposta foi: não há vaga, o planeta asséptico está lotado. E tive de me conformar, nasci com a sentença de que um dia vou morrer.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
JPG como DJ
A Wordpress bem tenta lixar a vida aos utilizadores, mas há sempre maneira de dar a volta ao "texto", como se vê com este caso.
Com que então, era impossível publicar o "widget" da Blip.fm, hem?
Pois aí está ele.
more about "JPG como DJ", posted with vodpod
[Isto é repetido do Baforadas backup/mirror, em http://baforadas.wordpress.com, e vem a propósito de um comentário a este post do Apdeites.]
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
E pode ser cigarreira
Um Ipod estragado pode ainda acondicionar os cigarros em perfeitas condições de segurança. A isto chamo tecnologia limpa e reciclável.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Fumar de luvas


[encontra-se aqui a forma de tricotar as luvas]
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A insustentável leveza do fumo
Só que nas notícias teve conhecimento de um estudo de uma faculdade, com toda a seriedade que isso comporta que conclui que os gases lançados pelos veículos automóveis, compostos de substâncias todas elas cancerígenas, afectam toda a atmosfera, inclusive os locais onde o fumo não é permitido, e consequentemente, toda a população, incluindo as criancinhas que ainda aprendem a circular em ranchos ordenados a pé pelas ruas em saídas lúdicas dos infantários ou até em visitas de estudo. E ele que tem no seu carrinho o seu ai-jesus e já nem seria capaz de ir ao café da esquina sem ele, tal a relação íntima que ao longo dos anos se desenvolveu entre eles, começou a imaginar cenários em que catrefas de médicos o aconselham a seguir um programa de desintoxicação da viatura com muitas caminhadas a pé, em que as viaturas são impedidas de entrar nas cidades e os cidadãos são obrigados a circular em transportes públicos, em que se vê relegado para uma situação quase clandestina de ligar o seu automóvel e assentar as mãos no volante apenas na privacidade da garagem que felizmente no seu prédio ainda são individuais, tudo a bem da saúde de toda a população e sente-se um individuo a quem arrancaram metade de si.
Foto de Cristina Grosso, 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Brincadeirinhas estúpidas
Liquid Smoking
Não faço ideia de como é que estes gajos descobriram a lata, mas foi lá que vi esta palhaçada pela primeira (e espero que última) vez.
sábado, 18 de outubro de 2008
Confirmação e Pontuacão (10)
Restaurante O Santiago
67, R. das Portas de Santo Antão
1150 Lisboa 1150
Telefone 213 421 513
- Desta vez, tem de ser tudo na base da memória e, devo confessar, já lá vão uns dias. Aliás, esqueci-me da factura, de maneira que também os comes e bebes (e respectivos preços) são "de cabeça"; só tenho aqui o talão do Multibanco e as más notícias começam por aí: 41,80 € para um jantarito fraquinho, duas cabeças, é um pedaço.
- O sítio não é mau, se bem que a sala para os fumadores (pareceu-me ter outras duas, presumo que de sinal vermelho) seja nos fundos e, portanto, sem janelas.
- O serviço é razoável, talvez um pouco "amigável" de mais, e o ambiente não tem absolutamente nada a assinalar: exactamente igual a milhares de outros sítios. A localização central, mesmo a meio da Rua das Portas de Santo Antão, convida mais o turista do que o lisboeta, pelo que também não seria de esperar comidinha muito caprichada porque, segundo a estranha convicção de alguns proprietários da restauração "turística", os estrangeiros são uma cambada de pategos que estão habituadíssimos a comer pessimamente. Ora...
Nada mais falso, como sabemos. O grande problema com este restaurante reside precisamente nos "morfes": os pitéus seriam apelativos, a julgar pelas designações (perna de borrego cabrito assada no forno e caldeirada cataplana de peixe à "Não Sei Das Quantas"), mas que venha o diabo e escolha qual o mais desenxabido.
A caldeirada "cataplana de peixe" (ou "peixe na cataplana", tanto faz) era uma espécie de caldeirada (ou peixada) metida dentro de uma cataplana, com uns pedaços de peixes variados lá dentro (variados, mas pouco) e com uma calda de refogado atomatado a fazer de molho; numa escala de 1 a 20, dou-lhe Medíocre Menos (5), e isto apenas com fins pedagógicos; a tomatada não tinha ponta por onde se lhe pegasse e a cataplana era só para fazer vista. Quanto à tal perna do tal borrego cabrito, bem, o que dizer? O mesmo que se diz geralmente de um jogador "tipo" defesa direito da selecção nacional de futebol: fraquinho, fraquinho, fraquinho. Ou seja, o raio do pernil estava rijinho, insossozinho, deslavadinho. Uma tristeza, enfim. Leva Medíocre (nem mais nem menos), aí um 7 bem medido.
Safou-se o vinho; se bem me lembro, um belo de um Grandjó, a merecer outros presigos e melhores condutos. Vá lá, bem fresco, salvou-se isso.
Pronto, pode-se fumar ali, pois pode. E é central, pois é. Mas é carote, olá se é. Não vale o preço, em suma.
Há sítios de comer que são mesmo abaixo de cão, o que não é o caso, mas este andou lá perto.
Isto aqui não é o das estrelas Michelin, nem coisa que se pareça, mas também não é o da Joana. Talvez tenha sido um dia mau do pessoal da cozinha. Mas nem todos somos turistas, nem todos somos "estrangeiros" e, principalmente, nem todos engolem sem pestanejar qualquer coisa feita à pressa e sem gosto nenhum.
Fumar no restaurante é bom, passar fomeca no intervalo dos cigarros é mau.
snap map
Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Confirmação e Pontuacão - 9
"A Comidinha", restaurante onde se pode 'baforar'

A comidinha
Proprietário: Pedro Glória Domingues
Tipo: português,discreto e familiar
Localização: Lagos, Algarve
Dia de encerramento: segunda-feira
Formas de pagamento: numerário e Multibanco
Preço Médio: 20 a 25,00€
Área fumadores: exclusivamente fumadores
Estacionamento: fácil
- Restaurante localizado numa zona residencial da cidade de Lagos, que prima essencialmente pela fabulosa cozinha tradicional portuguesa, cuidadosamente confeccionada pelas mãos da Graciete, também proprietária do restaurante.
- O interesse do proprietário pelos cheiros e sabores de África, resultaram num acrescento ao menu de alguns pratos africanos, soberbamente cozinhados, como se da mão do mais exímio cozinheiro africano saíssem.
- A cozinha regional não só tem origem no litoral algarvio, caso do peixe sempre fresco e cozinhado de diversas maneiras mas, de forma simples e saborosa, como também no barrocal algarvio, de onde saem pratos de carne de nos fazer crescer água na boca.
Peixe e mariscos: Garoupa, cherne e pargo grelhados, raia cozida no caldo com legumes ou frita com arroz de tomate, ovas cozidas, ensopado de pata-roxa, arroz de tamboril, massa de peixe, canja de peixe-galo ou de abrótea, cherne ou pargo na caçarola, moqueca de tamboril ou de camarão, caril de camarão, choquinhos fritos à algarvia, feijoada de búzios, salada de polvo, de lulas ou de ovas, carapaus alimados, raia de alhada, moreia frita, mexilhão ou amêijoas à Bulhão pato.
Carne: dobrada com feijão branco, grão com rabo de boi, rabo de boi em vinho tinto, coelho em vinho tinto, moamba de galinha com pirão de milho, cabidela de galinha, língua de vaca estufada, chambão de vitela, vitela à jardineira, bochechas de porco à casa, carne de porco com amêijoas, iscas de vitela à portuguesa, ensopado de borrego, favas à portuguesa, presas de porco à casa, medalhões de lombinhos de porco e bife do lombo na frigideira.
Doces: variados doces algarvios e uma mousse de limão com canela de comer e chorar por mais.
Outros pratos são confeccionados dependendo das estações do ano, da imaginação dos proprietários e dos produtos frescos disponíveis, já que o segredo deste restaurante é, sem dúvida, a criteriosa escolha dos produtos, tanto em frescura como em qualidade.
Para finalizar, a garrafeira da Comidinha é, sem dúvida, uma das melhores do Algarve. Entre vinhos tintos, brancos, espumantes e champagnes, todos eles servidos nos copos adequados, tem cerca de 1.050 referências.
Vale a pena fazer uma visitinha à Comidinha, pela comida, bebida, ambiente e por poder ‘baforar’ à sua vontade.
Crítica de: Maria João.
Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.
snap map
Imagem surripiada no Barlavento Digital
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Pués que viva Lula!
Eu defendo o fumo em qualquer lugar, diz Lula
LUIZ CARLOS DUARTE
Editor-Geral do Agora
'"Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado." Essa foi a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser indagado qual a sua opinião sobre o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB), na semana passada.
Durante a pergunta que lhe foi formulada, Lula fumava uma cigarrilha. Ele concedia entrevista coletiva a jornalistas de oito jornais populares do país, no Palácio do Planalto, ontem de manhã. Naquele momento, não havia repórteres-fotográficos na sala.
O projeto do Ministério da Saúde tramita na Casa Civil, desde fevereiro, e propõe a extinção dos fumódromos em recintos fechados, liberando o cigarro, com algumas exceções, apenas em casa ou na rua.
Lula não quis manifestar sua opinião sobre o mérito do projeto. "Eu não vou propor. A idéia do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares fechados. Eu mando o projeto para o Congresso e não voto." Ao ser questionado sobre um decreto que proíbe o fumo no Planalto, o presidente respondeu: "Menos na minha sala. Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando".
A Casa Civil afirmou que o projeto federal "está em análise, sem previsão de ser enviado ao Congresso". Informou ainda que o Palácio do Planalto observa a lei 9.294, de 15 de julho de 1996, e o decreto nº 2.018, de 1996. A lei proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, "devidamente isolada ou com arejamento conveniente". Na prática, não é cumprida no Planalto.
A assessoria do ministro José Gomes Temporão (Saúde) informou que a pasta está priorizando seus esforços na aprovação da emenda 29, que destina mais recursos à saúde. Depois, a prioridade será a lei contra o tabagismo. Segundo a economista Márcia Pinto, o fumo traz prejuízo anual de R$ 338,6 milhões ao SUS, em internações e quimioterapia.
Folha Online
Como todos sabemos, o principal problema do Brasil não é a criminalidade, os raptos, os assassinatos, a selvajaria generalizada, nem a miséria total lado a lado com a opulência absoluta, nem a escravatura moderna e subtil, tampouco a ignorância endémica, a destruição do ambiente e do património. Nada disso. O Brasil é um portentado, uma super-potência mundial de tal forma evoluída que já se dá ao luxo de centrar esforços e de mobilizar meios no combate ao tabagismo, esse perigo horrível.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
História do fumo VII - Casa Havaneza
A Casa Havaneza, como era e como é.
Imagem de GUIA ILLUSTRADA DE LISBOA (e suas circumvisinhanças), Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora (50, Largo do Conde Barão), 1891.
PrintScreen do site da Casa Havaneza.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
e-cigarros
Não deita fumo, não produz cinza nem sobram beatas. Não está previsto na lei - logo, é legal - e não é crível que alguém se possa chatear por ter um "fumador" destes "e-cigarros" ao lado, mesmo num restaurante apinhado de gente.
Ou seja, e isso já não é nada mau, acabou-se de vez a proibição de fumar seja onde for, mesmo nos aviões, em plena coxia, ou até numa circunspecta e grave sala de audiências de qualquer tribunal. Quanto mais não seja pela inolvidável experiência (e pelo gozo que deve dar a cara desconsolada dos antitabagistas circunstantes), valerá a pena comprar um "gadget" destes. O prazer de fumar em plenas trombas dos puritanos macabros valerá com certeza o preço (80 €) - não muito convidativo, mas vale pela "causa" de os chatear mesmo, aos tais puritanos - e, ainda que não seja exactamente a mesma coisa que fumar um verdadeiro cigarro, até pode ser que ao menos se consiga com isto evitar os efeitos colaterais da abstinência prolongada.
Esta nova engenhoca fumadora implica no imediato uma espécie de pequena revolução nos costumes: liquidado na origem o pretexto (o fumo passivo) para a proibição, será curioso verificar agora o que mais será inventado para perseguir os novíssimos e-fumadores. Tenho um palpite sobre isto, e um palpite que não é nada de difícil digestão nem requer grandes dotes de adivinhação: deparando com o e-fumo, coisa que nunca tinha passado pela cabeça do mais macabro dos fundamentalistas, aqueles que extraordinariamente se preocupam com a saúde alheia hão-de alegar que ninguém tem o direito de dar cabo da própria saúde.
Nisto, sinceramente, até estou de acordo... para variar. De facto, não me custa absolutamente nada presumir que este "fumo electrónico" poderá vir a ter, a longo ou a médio prazo, consequências muito mais perniciosas para os "fumadores" do que o tabaco propriamente dito. Existe uma reacção química, envolvendo diversas substâncias, todas elas artificiais, que injecta uma certa dose de nicotina no organismo; portanto, pelo menos em teoria, o nicotinodependente poderá aplacar momentânea e transitoriamente a sua dependência. Porém, esta invenção é ainda muito recente e não há, por conseguinte, quaisquer termos de comparação nem estudos ou estatísticas que suportem ou contradigam a sua (relativa) inocuidade. Fumar cigarros (uma invenção de finais do século XVIII) é muito mais pernicioso do que fumar por cachimbo e este muito mais perigoso para a saúde do que os charutos; tudo depende do grau de industrialização, os processos de fabrico, as transformações e os aditivos químicos por que o produto passa, desde a plantação até ao acender do fósforo, e finalmente pela forma ou pelo dispositivo que se usa para inalar (ou não) o tabaco propriamente dito.
No caso dos e-cigarros pura e simplesmente não existe tabaco algum, apenas o seu "princípio activo", por assim dizer, a nicotina. Ora, se o hábito de fumar se resumisse à nicotina, então seria facílimo deixar de fumar - o que, como sabemos, mesmo com injecções, pensos e substitutos diversos daquela substância, é praticamente impossível.
Sem força de vontade, nada feito. Quem quer deixar de fumar, tem de ter primeiro a vontade e depois a força. Só assim conseguirá largar de vez o vício.
Mas, para quem não quer, isto é, para aqueles que nunca tentaram nem querem tentar deixar de fumar, os e-cigarros podem ser uma boa forma de contornar a legislação nacional-socialista vigente.
Uma boa alternativa para os voos intercontinentais, para as longuíssimas, compridíssimas, chatérrimas viagens por via férrea ou por estrada, e também para aqueles eventos públicos onde toda a gente, tão saudável que até enjoa, devora comida até à náusea, emborca bebidas alcoólicas até ao vómito e debita parvoíces até ao infinito.
Fumemos aquela porcaria, pois, os e-cigarros. E que se danem os e-nazis.
Este post foi também publicado no blog do Apdeites.






